Afinal, quem somos nós?

Olhe um pouco além da superfície e constate que grande parte de nossas escolhas são tentativas de respostas à uma pergunta: Afinal, quem somos nós? Nem sempre é um movimento consciente – quase nunca é – mas o fato é que projetamos em nossas prioridades, nossos relacionamentos, nosso estilo de vida, nossos caminhos, tortos, ingrimes, confusos, carregados de anestésicos, na tentativa de evitar o inevitável, nossa vida é breve, hoje estamos, amanhã não mais (parafraseando Saramago) de modo que em algum momento será necessário encararmos a inevitável pergunta: Afinal, quem somos nós? Nesse vídeo uma reflexão sobre o assunto:

Nada a ser criado

Não há nada para ser criado, feito ou inventado. Nada.
Não se cobre soluções mirabolantes, jogadas de mestre,
saídas impensadas, sacrifícios épicos. Aquiete-se. Só isso,
aquiete-se. Pare de brigar com sua angústia, de sofrer por
seu sofrimento, de buscar desenfreadamente lá ou ali. Não é
lá, nem acolá, é aqui. É dentro. Em você estão as respostas.
Descanse e ouvirá. – Livro Mensagens que chegam pela manhã

Você está preparado?

Não há busca sincera, nem caminhos iluminados pela consciência que sejam em vão. Eles darão em algum lugar e, se de fato for o que você quer, sim, você encontrará o que busca. No entanto a grande questão é: você está preparado?

Será que realmente está pronto para saber que não é necessariamente quem pensa que é? Acha que pode relativizar suas crenças, seus valores, seu “roteiro” de vida sem maiores consequências?

Abrir os olhos muitas vezes implica em ser mal visto por determinados grupos, hostilizado por outros, questionado por muitos que perguntarão “Todo mundo pensa assim, todo mundo faz igual, sempre fizemos, ninguém fala nada e agora vem você com esse papinho de doidão? Relaxa, ligue sua TV e pare com isso”.

Se você está buscando a verdade, se percebe que só temos parte da história, se sente que precisa das respostas, vá em frente ! Mas antes de chegar aonde pretende, responda se puder: você está preparado? Você quer mesmo?

Afinal, como me harmonizar interiormente diante de uma vida com tantas turbulências?

Woman in Rural Setting

Talvez o que eu lhe diga agora possa soar estranho, mas, mesmo assim, considere como uma possibilidade: Por mais difíceis que as situações possam aparentar, por mais pesadas, por mais que nos peguem de surpresa, nenhuma delas, repito: nenhuma delas, tem o poder de nos fazer qualquer coisa, a não ser por nossa concessão. Por exemplo, você pode viver perfeitamente bem, sem tristezas, sem dores até o dia que recebe a notícia de que alguém que ama faleceu há dois meses. Nesse caso, imediatamente, a vida que fluía maravilhosamente bem apesar do falecimento simplesmente desaba. O que mudou? A pessoa já tinha morrido há dois meses, você não tinha sido afetada até que soube. Pronto, o luto acabou de instalar-se como realidade absoluta, como se a morte tivesse ocorrido naquele instante, sendo que, para você, foi exatamente naquele instante de fato. O que estou querendo dizer? Que, apesar das situações contraditórias e difíceis existirem, somos nós que as revestimos com nossos próprios significados e importâncias. Mesmo um evento coletivo, um Tsunami por exemplo, que atinge muitas pessoas ao mesmo tempo, repercute em cada uma delas de um jeito diferente, afinal, cada um projeta no evento a interpretação que lhe cabe, retira do que lhe habita as cores e impressões que nortearão os efeitos que aquilo produzirá na alma. Sendo assim, não há realidade, não importa qual seja, que deixe de refletir na dimensão exterior quem você é interiormente. É por isso que acredito que os acontecimentos não carregam nenhuma carga moral, mas são apontamentos para que nos enxerguemos. Sendo assim, não importa o nome (e as razões) que você dá as suas dores, por mais difíceis que sejam (de maneira alguma quero desconsiderar isso) elas falam sobre você, te revelam, te desnudam e, sobretudo, lhe trazem uma oportunidade: encarar-se e transcender-se. Esse é o ponto. Quando deixo de olhar o que me acontece como fardos distribuídos aleatoriamente, como castigo, recompensa, carmas ou punições, mas como oportunidades, imediatamente mudo meu olhar especialmente porque, ao fazer desse jeito, projeto sobre o que parecia trevas, luz, consciência, discernimento. Não há escuridão que resista a isso. Sei que doerá por algum tempo, claro, você é humana, as coisas não são tão fáceis assim, mas também sei que, se hoje não pode mudar a maneira como sente sua vida, mude a maneira como enxerga sua vida. Há uma diferença sutil e fundamental nisso. Veja diferente, mude a perspectiva que imediatamente te deslocará da condição de vítima para aprendiz, de sofredora para um ser que evolui, de alvo para flecha. Inicialmente os sentimentos continuarão os mesmos, mas, mudando o olhar, muda o sentir, muda o experimentar, muda o agir. E é isso que você busca não? Portanto, como eu costumo dizer, aquiete-se. Não se debata contra as situações, não tente nomeá-las agora, não lute contra elas como se estivesse em uma guerra. Acalme-se e experimente a maravilha de estar viva, exposta as contradições, dificuldades, vazios, mas, viva! Nada em sua vida está ai para castiga-la. Nada existe para lhe reduzir, para lhe entristecer ou punir do que quer que seja. Você não está sendo vitima de vingança celestial ou nada que se assemelhe e as dores que hoje experimenta, já foram e serão experimentadas por outros tantos no mundo inteiro. O que muda é o olhar. O que você vive hoje, são apenas os pesos e levezas, retas e curvas, aclives e declives de existir. Mude sua maneira de enxergar a vida, veja dádivas em tudo, presentes até nas dores e viva, e seja feliz e seja alguém melhor ! Sei que vai conseguir.

Um desejo…

Ainda que o dia aparente banal, ainda que as coisas estejam mornas, sem sal, sem muita cor. Ainda que os dias estejam difíceis e você tenha sido pego de surpresa, ainda assim, que a felicidade se expanda em seu coração e a paz seja fruto do nada, inexplicável, insurgente, indiferente ao cenário agitado, seja ele qual for. Que assim seja hoje e o quanto você permitir.

Como colocar tudo isso em prática?

“…Adoro tudo o que escreve! Mas não sei como colocar tudo isso em prática…”

Para colocar o que escrevo em prática não é preciso técnica.

Não falo sobre segredos, mistério reservado à iniciados. Falo sobre a necessidade de nos aquietarmos e simplesmente percebermos o que já é.

Não proponho que criemos nada, pelo contrário, proponho a desconstrução de tantas construções desnecessárias, entulhos que projetam sombras, criam labirintos e dificultam a visão. É por isso que não enxergarmos, não é porque temos de menos, mas nos sobrecarregamos demais.

Quer praticar o que escrevo? Não tente, não se esforce, não se cobre, tampouco projete inquietude sobre isso. Descanse, relaxe, livre-se do peso desnecessário.

Não será como fruto de esforço ou por nenhum mérito seu, simplesmente acontecerá. Fique bem !

Encarando fantasmas

Depois que enxerga seu “fantasma” você percebe que todo aquele tamanho, aquele rugido ameaçador, só se projetava na sombra, afinal, ele não era tão grande assim, foi você quem o alimentou, que projetou nele seus medos e fez com que crescesse até que despertou, projetou luz e o enxergou.

Essa é uma descoberta maravilhosa ! É perceber que as algemas que te prendiam, as ameaças, as culpas, as dores, vinham todas de você e se projetavam em relacionamentos adoecidos, em codependencia, em insegurança. Quando luz se projeta sobre sua autopercepção, finalmente descobre suas potencialidades, seu caminho é naturalmente redirecionado conforme o que agora vê.

Lembre-se: todo nosso mundo exterior, todas as relações, todos os ambientes que nos encarceramos, são reflexos dos carceres da alma, da maneira como estamos por dentro. Ninguém pode de fato lhe aprisionar a mente se não houver concessão de sua parte. Libertando-nos, seremos livres em tudo.