Existe amor perfeito?

“Quero te perguntar se existe amor perfeito? Se existe, seria aquele que aceita nossas imperfeições?”

-O que é perfeição? É quando tudo se encaixa conforme quero? É quando as coisas caminham de maneira linear, sem confusão, sem dúvidas, sem interrupções de nenhuma natureza?

Para a maioria de nós perfeição tem a ver com estereótipos, ideias pré concebidas sobre como as coisas deveriam ser, ou pelo menos como deveriam ser para mim.
Só nos esquecemos um detalhe: nossa perspectiva sempre é parcial, especialmente por ser apoiada em referências éticas, morais, culturais, atreladas a percepção parcial do tempo.

Nenhum de nós conhece a história toda.

Vemos apenas fragmentos daquilo que está em movimento, afinal, nenhuma experiência se limita ao fato, mas ela acompanha o interminável fluxo da existência que modifica todas as coisas, o tempo todo. O que aconteceu ontem interferirá no hoje enquanto processa os desdobramentos de amanhã.

Tudo se comunica, tudo se vincula, tudo se toca de alguma maneira e acaba se complementando sem que eu perceba. Eu, você experimentamos as consequências de nossas escolhas no hoje, mas, se conseguirmos nos desapegar na tendência em fixarmos nossas impressões no que passou, se enxergarmos a beleza das modificações constantes e eternas que o agora impõe, então entenderemos algo fundamental: A imperfeição mora dentro da perfeição.

O amor só é perfeito porque engloba o imperfeito.

Amor “perfeito” no sentido moral da palavra não é amor. Amor que não aceita, não inclui, não suporta conviver com nossa imperfeita relatividade jamais será amor.

Vivemos tentando atingir a perfeição. Seguimos exemplos que são eleitos “reservas éticas” da sociedade, achamos que dá, nos culpamos sem pensar que ser perfeito é aceitar a relatividade e suas possíveis contradições.

Ai é que está a beleza da perfeição.

Se é perfeito transcende conceitos atrelados a nossa percepção parcial e na sua integridade se expressa até no que chamamos “imperfeições”. No fim das contas, quem sabe o que é de fato perfeito? Quem pode chamar qualquer coisa de imperfeita? Que presunção é essa que nos convence que temos alguma condição de determinar qualquer coisa a partir de nossa imensa relatividade?

Ser perfeito tem a ver com aceitar que a imperfeição é apenas um fragmento do absoluto perfeito, portanto, devolvo sua pergunta com outra pergunta: O que nos restaria se no amor não houvesse espaço para a imperfeição? Pense nisso e muitas coisas ficarão claras. Fique bem!

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