Vem aí a rádio Vagalume!

Na próxima quarta feira, dia 02/07 ÀS 07H00 da manhã estreia a rádio Vagalume ! Será uma rádio transmitida por internet, o que quer dizer que qualquer um, em qualquer lugar do planeta terá acesso.
A ideia é manter coerência com o trabalho que faço aqui no FB, nos vídeos, blog e livros, sendo mais um canal de comunicação e interatividade sem rótulos, sem esteriótipos, uma rádio humana, livre e agradável.
Estarei ao vivo de segunda à sexta entre 07h e 09h no programa “Mensagens que chegam pela manhã” comunicando bons conteúdos, tocando músicas e interagindo com o FB. Durante todo o dia músicas de qualidade, reflexões, provocações e tudo o que for possível para tornar seu dia mais consciente e agradável.
Será uma boa oportunidade para quem tem consultório, loja ou qualquer tipo de estabelecimento com som ambiente.
Além do computador, será possível ouvir a rádio pelo celular também. Por enquanto ainda não posso divulgar o endereço, mas pretendo fazê-lo até amanhã.
Estou muito feliz, acredito bastante nesse trabalho e tenho certeza que será uma grande oportunidade para que estejamos ainda mais próximos. Conto com sua audiência e divulgação ! Em breve mais novidades. Obrigado por tudo!

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De repente tudo pode mudar

Me lembrei de como as coisas podem mudar de repente.

Foi em 2011. Eu vivia uma fase profissional difícil, um monte de coisas acontecendo, longe de casa, uma série de mal entendidos e nenhuma vontade de estar lá. Cheguei logo pela manhã, fiz o que eu tinha que fazer e desci para tomar café na lanchonete da rua.

Pensava em como me desvencilhar daquilo, em como ir embora, pensava, pensava, pensava muito enquanto uma TV ao lado reproduzia uma série de vídeo clipes. Não sei exatamente porque um deles me chamou atenção. Não falava nada em especial a não ser um título expressivo “Uncharted” (inexplorado) com imagens simples, criativas, cheias de gente com caras e atitudes de gente.

Por alguns minutos parei de pensar e fiquei prestando atenção enquanto uma tonelada de peso cedia espaço à esperança, uma inexplicável esperança de que tudo se encaixaria, que as coisas se encaminhariam se eu parasse de me angustiar, se eu simplesmente me aquietasse.

Não houve nada especial, ninguém me disse nada, foi só um momento, uma música que tocava na lanchonete, um inesperado despertar que fez completa diferença para que eu realmente mudasse minha atitude e, a partir daquele momento, iniciasse um tempo novo que me trouxe muitas coisas boas.

Agora estou aqui no finzinho da madrugada preparando a minha rádio que está para entrar no ar e, por “co-incidência” a tal musica está tocando. Impossível não lembrar daquela manhã tão sem nada para contar, sem nenhum grande acontecimento, sem uma linda história de superação, e, talvez por isso mesmo, suficiente para que na sutileza daquele momento me dissesse tantas coisas que eu precisava me lembrar. Só ouvi quando parei de pensar, pensar, pensar e me aquietei.

Meu texto de hoje é simples como aquela manhã de segunda feira. Simples como todos os dias devem ser.

Não quero alimentar nenhum tipo de pretensão filosófica, nem sustentar argumentos infalíveis, não é isso. Hoje, tudo o que eu quero é lembrar para mim e para você que, se não fosse nossa distração, perceberíamos mais.

Se não estivéssemos tão focados em nosso ego, tão preocupados com nossos desejos, tão fixados em ilusões, tão presos ao passado, ao futuro, tão distantes do presente, se simplesmente estivéssemos atentos ao universo, ao maravilhoso universo de vozes, movimentos, encaixes, sutilezas que nos apontam o caminho, estaríamos muito mais descansados e confiantes.

Andaríamos em paz independentemente dos cenários, certos de que o mundo de fora sempre responde ao mundo de dentro. Não é a angustia que produz paz, nem a inquietude geradora de descanso. É o contrário. É um coração em paz, uma mente tranquila, o caminhar consciente que aplaina o caminho e interfere no cenário turbulento. De dentro para fora, sempre.

Tenho aprendido com o tempo, com as experiências, com a persistência dos acontecimentos contraditórios tantas vezes, como esse momento contigo, como a chuvinha que cai agora no início da manhã, como o som da gaita que ouço aqui na rádio, como um sentimento de paz independente de tudo, como o privilégio de poder ser mensageiro da chuva, do vento, da música, das vozes incessantes e sutis que nos sussurram o tempo todo com eloquência, nos preenchendo de graça, de vida, de Deus, que nos habita. Acredite, tudo vai ficar bem. Já está. Bom dia pra você! Fique bem.

Coragem de recomeçar

Quantas vezes o fim de uma relação gera um sentimento devastador, como se não houvesse mais chão nem referências! Seja o fim de um casamento, a perda de um ente querido, um amigo próximo que vai embora, o fato é que acontece com frequência.

Entendo que seja difícil e o sentimento de vazio, o sofrimento, o luto são inevitáveis na maioria dos casos. No entanto, permanecer no buraco eternamente é uma escolha, uma concessão de quem sofre. Há pessoas que se agarram ao vazio da perda como se esse vazio pudesse substituir quem foi embora. É quase como um tipo de lealdade as avessas que faz o sofredor se sentir culpado por deixar de sofrer, apegando-se ao objeto do sofrimento como se dependesse disso.

Esse não percebe que sofrimento também nos revela, afinal, escancara onde estão os vazios, os medos, as zonas de conforto que precisam ser encaradas.Encarar-se é uma escolha, iluminar os cantos sombrios da alma com a luz da consciência também é uma escolha que depende unicamente de cada individuo.

Se estiver sofrendo, cumpra seu tempo de luto em paz. Só não esqueça que ele tem tempo para terminar e, se você quiser, sairá melhor do que entrou. Desapegue-se da sua dor para que ela não apodreça e te estrague junto. É preciso caminhar e recuperar a felicidade no caminho, nos presentes e compensações que a vida dá, na coragem de recomeçar, de ser de novo.

A dimensão do essencial

Não coloque propósitos para seu crescimento espiritual, como se estivesse estipulando prazos e metas, como se precisasse atingir determinado estágio para sentir que “chegou lá” a tal ponto que, todos os dias, cobra de si mesmo alguma evolução.

Aquilo que muitas vezes consideramos objetivos a serem atingidos, deve ser consequência, não pode ser causa, motivação da busca. A gente busca sem perceber, sem fazer força, sem colocar angústia no caminho, sem tecer prazos ou metas. Tudo o que devemos fazer é caminhar, e caminhar com atenção.

Quando estou fixado em metas, elas serão minha referência, é por elas que vou aferir até que ponto estou “evoluindo” e isso sempre irá gerar decepção porque vida espiritual não se mede. Não há como medir o que é dentro, não se vê e nem sempre segue caminhos lineares de mensurabilidade.

É como se você plantasse uma árvore para se proteger do sol, e todos os dias sentasse ao lado dela, mesmo que fosse ainda apenas uma plantinha, lamentando que ontem estava do mesmo tamanho de hoje, portanto, não cresceu. Reclamará da árvore sem saber que ela cresceu sim, um pouco a cada dia, até que você desista de esperar e, lá na frente, seja surpreendido pela enorme e frutífera árvore.

Você pensa em suas tentativas, seus caminhos, os lugares onde passou, tentou, se esforçou, as filosofias, as religiões que acreditou serem os verdadeiros canais de evolução. Deixe-se me dizer: nenhum deles é. Absolutamente nenhum.

Tudo pode ser ferramenta, tudo pode ajudar, mas espiritualidade é algo que se vive para dentro, ainda que irradie para fora, ainda que promova vínculos, ainda que lhe possibilite exercitar o amor com o próximo, isso é ótimo, mas é consequência do que antes cresceu dentro.

Não projete sua busca em uma religião, por mais coerente que pareça. Não pense que será uma filosofia, um ritual, um livro ou o que quer que seja que substituirá a possibilidade de enxergar na vida, nas relações, na não linearidade do caminho, em você, dentro, onde ninguém vê. Essa busca cheia de angústia só irá causar dependência, jamais paz interior. Você já tem o que precisa, a paz que tanto quer já é, e de modo algum está vinculada a nada, absolutamente nada fora de você, é por isso que sente tanta dificuldade em encontrá-la.

Engraçado como, de maneira geral, sabemos que o dinheiro, o trabalho, o consumo, não nos trará paz, mas nunca pensamos em relação as religiões, filosofias ou afins. Essas não dão paz pela mesma razão que as outras não dão: estão fora de você, por que seria diferente?

Como encontrar seu caminho? Não se cobre, viva sua vida em paz, use o bom senso, sem culpa, sem angustia, apenas preste atenção no caminho, perceba os movimentos diários e insistentes da vida, de tudo, a terra toda apontando para o simples, está tudo a sua volta, perto, presente, vivo, cada detalhezinho do dia, cada brisa do cotidiano, cada som, cada dia, cada noite, cada silêncio, cada dor, cada alegria, cada conversa, cada momento construído para que você se enxergue, valorize o simples, observe, esteja realmente presente, ame, seja grato, perdoe a si mesmo.

Tudo o que passar disso pode ajudar sim, pode ser útil em algum momento, mas nunca estará na dimensão do essencial, portanto, não corrompa a busca, não inverta as coisas, não projete em nada aquilo que, com simplicidade, naturalmente é e nunca está restrito a grupos ou filosofias especificas.
O que realmente importa já vive em você, portanto, sua função é apenas aquietar-se e perceber.

Tudo o que gosto – (Vídeo)

“É o olhar que carrega a vida de beleza, como uma janela que permite o fluxo de dentro para fora, imantando a existência, apreendendo significados, tingindo de cores, de cheiros, de tons, vinculando cada movimento de fora ao que sou, a quem sou, a qual ponto do caminho estou.” – Fazia tempo que eu não produzia vídeo com um dos meus textos. O que escrevi e postei hoje de manhã “Tudo o que gosto” me motivou. Espero que você goste e, se gostar, compartilhe. Fique bem! 

Tudo o que gosto

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Gosto dos dias nublados. Gosto do jeito que as nuvens desaguam, o barulho dos trovões, os pingos que caem no palácio e na favela, no mar e na calçada, nas pessoas que correm em busca de abrigo, param sob algum toldo de loja, depois se secam e vão.

Gosto do jeito como as crianças falam. Gosto dos tons, da falta de escudos, do jeito simples que fazem perguntas, que acham engraçado, que puxam conversa, da credulidade inocente, do olhar confiante.

Gosto dos pássaros. Não me canso de admirar como voam, especialmente os maiores, com tanta segurança e habilidade. Sempre que vejo um deles planando tento ir junto, acompanhando com os olhos e, confesso, com uma ponta de inveja. Adoraria ter asas!

Gosto da capacidade humana de realizar coisas belas. Uma música, o despretensioso cantarolar da senhora sentada em frente de casa vendo o neto brincar, um quadro, por mais simples que seja, um texto, uma poesia, expressões de humanidade que sempre me encantam.

Gosto de dirigir na estrada. Não me importo em dirigir longas distâncias enquanto admiro a paisagem, conheço lugares que não conhecia, revejo outros que já tinha visto, tentando enxergar algo diferente.

Gosto do silêncio da madrugada. Quando tudo se aquieta fica mais fácil perceber a fragilidade que nos nivela, corpos entregues ao sono, expostos, quietos, recompondo-se para o dia que daqui a pouco virá.

Gosto de enxergar pacificação no olhar de alguém que está chegando ao fim da velhice e não perdeu a doçura, nem a esperança, nem a capacidade de se alegrar. Isso me encanta!

Gosto de vento, de abraço, de fazer caminhada, de ler, de praia, de montanha, de avião, de mingau de aveia, de viajar, de pizza com arroz, de cheiro de grama, de escrever, de água com gás, de livrarias, de café, de árvore, de rádio, de frio…

Gosto de saber que tudo o que gosto encontra ressonância em algum lugar dentro de mim e reflete lá fora o que na verdade me habita.

Sei que não são os dias nublados, nem as crianças, nem os pássaros, nem a capacidade humana de realizar coisas belas, nem dirigir na estrada, nem o silêncio da madrugada, nem a pacificação no olhar dos idosos, nada disso tem significado próprio a não ser que seja iluminado por minha consciência.

É o olhar que carrega a vida de beleza, como uma janela que permite o fluxo de dentro para fora, imantando a existência, apreendendo significados, tingindo de cores, de cheiros, de tons, vinculando cada movimento de fora ao que sou, a quem sou, a qual ponto do caminho estou.

E então me enxergo projetado na vida, em tudo o que vive, aquele que sou, tão claro, tão nítido, impresso em tudo o que gosto.

 

Não é preciso criar tantas expectativas

Ultimamente tenho falado um pouco mais sobre os males que a expectativa produz. Percebo que, especialmente quando insisto no fato de que nossas decepções são causadas por nós mesmos, como fruto das expectativas, o desconforto de muitos se expressa em comentários um tanto quanto contrariados.

“Como não criar expectativas em relação a um casamento?”, “Você consegue não ter expectativas relacionadas ao futuro de um filho?”, “É possível prosperar profissionalmente sem expectativas de crescimento?” – São perguntas que vez ou outra aparecem, algumas com certo ar de indignação como a de alguém escreveu algo do tipo “isso é demagogia!”.

Primeiro quero que saiba que reconheço que não é fácil. Poucos de nós realmente entenderam o real significado de enxergar a si mesmo. Estamos sempre olhando para fora, apontando, esperando, julgando, querendo que a vida corresponda aos nossos justificados desejos, afinal, que mal há em querer que um casamento dê certo, um filho progrida, um trabalho seja bem sucedido? – Pensamos.

Mal nenhum, mas a questão não é essa. Pense comigo: Criar expectativas não é o mesmo de querer bem. No primeiro caso me desloco no tempo e projeto para o futuro determinado desfecho que não tenho a menor condição de garantir. Me fixo apenas em uma possibilidade e, se não acontece conforme esperei, o próximo passo será a decepção.

No segundo caso, quando apenas quero bem, estou consciente que as coisas nem sempre acontecem exatamente como quero e me mantenho aberto para as incontáveis possibilidades que cada evento carrega, portanto, ao invés de esperar lá na frente, no futuro, desfruto o beneficio do agora, enxergando hoje tudo o que posso enxergar.

A decepção é fruto das expectativas. Quanto mais espero, quanto mais ansioso por determinado caminho, mais decepcionado diante da contrariedade.

Minha proposta é bem simples: Ao invés de viver esperando que o futuro seja de determinada maneira, por que não tenta desfrutar do que está acontecendo agora, ainda que o cenário não seja aquele que desenhou na mente?

Agora entenda: Isso não quer dizer de maneira nenhuma que deve deixar de fazer seu melhor, de contribuir para que tudo caminhe bem, seja na vida pessoal, no trabalho ou nos relacionamentos. Não criar expectativas não é sinônimo de falta de intensidade, mas, pelo contrário, é não projetar sobre as pessoas ou acontecimentos uma sobrecarga que depois voltará em forma de decepção.
A decepção não é criada pelo outro, mas por você que esperava de mais.

A intensidade não está no que espero lá na frente, mas no que experimento no eterno agora. Cuidar do futuro será um trabalho ineficaz enquanto não entendo que o futuro sempre cede espaço para o presente e vira hoje, vira hoje, vira hoje, portanto, cabe exclusivamente a mim cuidar do hoje transformando cada instante em solo fértil para o “futuro”.

Você nunca verá seu marido como é, jamais aceitará seu filho com todas as suas particularidades, viverá em eterno conflito como sua vida enquanto não parar de criar expectativas. Até para que as pessoas e cenários mudem é preciso clareza e aceitação. Se alterações realmente forem necessárias e você tiver que interferir, só perceberá quando estiver presente, no hoje, no agora, sem expectativas.

A falta de expectativa lhe torna isento para enxergar o caminho, entender as pessoas, pacificar-se com sua vida. Ser feliz é assim, é pacificar-se consigo e com o que é, é aceitar-se até que não precise criar expectativas. É enxergar a vida sem esperar nada específico lá na frente, especialmente por saber que o “lá na frente” é consequência do agora e se estabelecerá em harmonia se hoje a harmonia for sua casa.

Pacifique-se consigo mesmo.Ouse confiar que tudo se encaixará como deve ser. Entenda finalmente que o que de melhor você pode fazer para seu futuro é viver no presente, aberto para todas as bilhões de possibilidades, de desdobramentos, de caminhos que se estenderão naturalmente para quem vive com simplicidade e naturalidade.

Descanse. Não é preciso criar tantas expectativas.

Fique bem.