O dia da pacificação

Chegará o dia em que os debates cessarão. Não haverá necessidade de argumentos, contra argumentos, convencimentos, imposição de ideias, contradição de olhares, de palavras, de ideais.

Será o dia da pacificação, da aceitação e compreensão de que a verdade absoluta, se espalha em fragmentos – muitas vezes contraditórios em aparência – para que o acesso a ela seja possível apenas para os que são simples e humildes de coração.

Hoje, sempre

As atuais importâncias ainda serão substituídas pelo que importa, cessará a voracidade, o consumismo, a loucura de quem tenta ser tendo e, então, pacificados, simplesmente nos aquietaremos, gratos, fartos, felizes por saber que o mundo de fora reflete o de dentro, que as dores e os medos da vida são apontamentos para que eu os cure em mim, que não há nada acontecendo na Terra que não seja relacionado ao fato de que tudo fala, tudo é e que esse tempo não está longe, não é meta distante nem utopia de fé.
Chegará o dia em que perceberemos que esse dia não está no futuro. Perceberemos que o reino de Deus nos habita, que está instalado dentro de nós. Hoje, sempre.

Tudo o que precisamos saber

Enquanto digito em frente ao computador, enquanto tento me manter sensível para que as palavras sejam simples condutoras, decodificadoras que expressam o que as transcendem; enquanto você lê, celular na mão, monitor na frente, não importa, o fato é que nesse momento iniciamos uma conexão.

O que eu faço aqui não se limita a uma combinação de letras, 26 letrinhas organizadas para fazer sentido, mas a tentativa de que as palavras sejam pontes sobre labirintos, flashes de luz indicando uma direção à seguir. Palavras tem energia. Não apenas a forma como são distribuídas, mas, entre elas, há uma comunicação subliminar, sutil, silenciosa, irradiando nas entrelinhas o que nem sempre está expresso no texto.

Palavras também podem ser afiadas. Podem furar camadas de cegueira, de escuridão, de confusão de alma, de mente, de sentimentos que nos tornam confusos, que nos rouba a capacidade de, em simplicidade, ver, sentir, compreender a verdade que se expressa em fragmentos, eloquentemente, o tempo todo, em tudo, inclusive nas palavras.

Palavras mal usadas podem distorcer percepções, entupir, intoxicar, criar desvios de compreensão consideráveis, nos tornar mais distantes de nós mesmos.

Escrevo consciente que nem todos entenderão.

Muitos podem até gostar, curtir, comentar, achar bonito, mas isso não significa que realmente entenderam o que as palavras se propuseram a carregar e há uma razão para isso:

Palavras são apenas ferramentas e, em suas limitações, podem refletir a imensidão do universo, a profundidade dos mistérios, a beleza do amor, da vida, das conexões, da sabedoria, mas, sua missão só será cumprida se quem ler estiver sensível o suficiente para decodificá-las, transcende-las e projetar nas entrelinhas, em paz, com simplicidade, a verdade que lhe habita. Palavras não são a verdade mas podem expressá-la a partir de quem lê.

Nesse mundo em que vivemos, tudo fala. Há palavras em cada som, cada cor, cada reflexo de luz, cada bater de asas de pássaros, cada nascimento, cada morte, cada sorriso, cada animal, cada homem, cada mulher, cada reencontro, cada perda, cada choro, cada árvore, cada rosto, cada toque, cada movimento da vida que nos diz “ouça”, que nos ensina “aquiete-se”, que nos consola com a esperança de que nada acontece sem a possibilidade de ser preenchido de significado, de consolo, de aprendizado, de paz.

Eu escrevo, sou um mensageiro, um organizador de palavras. Tudo o que faço é na esperança de que as palavras me transcendam e, sobretudo, para que quem estiver lendo entenda que palavras, letras, são apenas códigos. Apenas códigos.

Há um universo de comunicações ininterruptas, sutis, constante, presente no seu caminho. Preste atenção e deixe que as palavras sejam pontes, portas que abrem e lhe convidam a entrar na dimensão do entendimento, da consciência, da condição de quem entendeu que as maiores verdades do universo, o que realmente importa, não cabe em palavras, nem em livros, nem em dissertações inteiras, nem em teoria alguma, por isso prescinde e transcende explicações. É e pronto.

Comunica-se em silêncio, em simplicidade, em aceitação de quem se é, em abertura de mente, de alma, da consciência de que somos aprendizes, privilegiados aprendizes, vivendo hoje todas as oportunidades para aprender a ouvir, sentir, entender e amar.

Silênico. Aquiete-se. Esvazie-se. Tranquilize-se. Desintoxique-se. Calma.

Palavras que entram, palavras que limpam, palavras que são apenas palavras, mas, se você deixar, se conectarão com a sua verdade e irão além, muito além dos limites do escritor. O destino é a dimensão onde as palavras tornam-se completamente desnecessárias e o silêncio, eloquente, nos diz tudo o que precisamos saber.

Aquiete-se. Ouça. Ouça… Fique bem.