Caminhemos juntos!

É natural que eventualmente chegue gente que enxerga meu trabalho com certa desconfiança. Afinal, não estou ligado a nenhum grupo, nenhuma instituição, nenhuma religião, nenhum mestre, ninguém. Não promovo correntes específicas de pensamento assim como não combato ninguém. Sou o maior (e único) patrocinador do meu trabalho, faço o que posso e muitas vezes não posso, não peço nada à ninguém e faço questão de caminhar em liberdade:

“Quem você pensa que é?” – é a tipica pergunta que às vezes chega com várias formulações. Sei que a maioria de nós é condicionado a vida inteira a se contentar em enxergar através de minusculas frestas escondidas atrás de entulhos, de grades, jaulas com pouca perspectiva de arejamento, acreditar nas historinhas, nas versões, nas ameaças e, sobretudo a contentar-se com a explicação de um “tutor” que insiste em dizer como é a paisagem lá fora. Acreditamos a vida inteira que o mar é uma ilusão, que não há montanhas e as estrelas uma criação de místicos abobalhados.

O condicionamento é para que temamos o que não tem cara de conhecido, que não use os mesmos códigos, não se submeta as mesmas cartilhas, esteja fora da esfera de controle e, sobretudo, tememos tudo o que seja livre, sem algemas, sem crachás. A liberdade nos parece uma ameaça! Temos pânico da liberdade e nossa tendencia é afastarmos tudo o que nos confronte nesse sentido.

Por isso fico extremamente grato sempre que noto que alguém venceu o medo, parou para ouvir, e aceitou projetar consciência sobre si mesmo. Que resolveu olhar para dentro e descobrir o mar, as montanhas, as estrelas, Deus, dentro da gente. Acredite, é preciso muita coragem para perceber e levar isso adiante, especialmente para se expor as desconstruções que a liberdade demanda. É mais fácil manter-se encarcerado.

Não estou aqui para desenhar paisagens nem criar nenhum tipo de cenário.Meu trabalho é transformar frestas em portas, é estimular gente a sair da jaula, pisar na grama, ajudar que caminhem com as próprias pernas, sem medo, sem culpas, sem assombrações imaginárias, sem condicionamentos e algemas mentais, sem a necessidade de devoção à igrejas, mestres, sacerdotes, gurus ou qualquer um que se apresente como ser superior incumbido de decretar voz de comando. Desses eu fico longe!

Sejamos livres, verdadeiros, coerentes, pacificados, humildes, inclusivos, simples e humanos. Caminhemos juntos, sem medo, atentos e conscientes, gratos porque, no caminho, encontramos uns aos outros. No fim das contas é só isso que importa. Acredite: é um privilégio para mim. Fique bem !

flavio siqueira

Pacifique-se contigo mesmo

Às vezes o que chamamos de “tristeza” é apenas inadequação.

É sentir-se peixe fora d´água diante de tanta superficialidade, gargalhadas descompassadas, tanta propaganda falsa do real significado de ser feliz. Ser sensível para ver, perceber, entender como as coisas funcionam pode gerar esse sentimento de inadequação. Quanto mais diante da sobrecarga de mensagens que trabalham contra a reflexão, o posicionamento crítico, criando desconforto para quem não aceita fazer parte da manada.

Grande parte dos “felizes” de hoje, celebram sua própria cegueira, comemoram a imbecilidade em rituais de massa que parecem não ter fim. Quem vê pode se incomodar, quem percebe se entristece, quem ainda enxerga pode ter a sensação de que está sozinho no meio de tanta loucura.

A boa notícia é que não está. Há muitos peixes fora d´água compartilhando a mesma percepção.

À esses, como para você, meu incentivo é : Não brigue com sua dor! Não se culpe, não mascare, não corra atrás de todos os que prometem cura. Aquiete-se diante da sua dor. Ouça o que ela tem a dizer.

Isso não quer dizer que deve se entregar a melancolia, deprimir-se, auto vitimizar-se.O que estou dizendo é que, ao invés de tentar de tudo, pare, olhe, ouça e extraia da dor o que muitas vezes pode ser sua própria salvação. Há situações em que a dor nos protege, nos salva da embriaguez de um tempo em que a felicidade virou dogma, meta a ser buscada, ainda que poucos saibam o significado e as implicações de ser feliz.

O que você precisa é pacificar-se com sua dor. Não seja inimigo dela. Pacificar-se quer dizer compreende-la, parar de ter medo, de chutá-la, de fugir, de ser presa para todos os que lucram prometendo felicidades rasas, falsas, mentirosas, aprisionando mentes frágeis com suas conversas cheias de slogans e frases de efeito.

Aquiete-se contigo. Fique um tempo em silêncio, sem culpar-se por nada, sem avidez por respostas, nem correria em busca de alivio. Silêncio, somente silêncio.

Quando menos esperar, estará pacificado porque, sim, a paz que precisa mora em você e a melhor maneira de percebê-la é simplesmente deixar que ela apareça.

Não se mate em esforços, encha sua mente de bons pensamentos, seus olhos com poesia, sua alma com silêncio.

Como o amor que nasce com naturalidade, como os vínculos que se fortalecem sem grandes forças, como a vida que preenche o vazio aonde nem olhos chegaram, a criança que cresce sem que ninguém faça nada, a manhã que ilumina a noite enquanto dormimos, assim será contigo, na paz que começa agora, dentro, e será percebida quando você finalmente se aquietar e permitir. Só isso. Em simplicidade, em humildade. Fique bem.