Vá com calma

Não jogue todas as fichas em uma única possibilidade, muito menos condicione sua felicidade a um desfecho específico, como se não houvesse outros caminhos, como se você realmente conhecesse todas as cartas, soubesse todos os passos, todas as possibilidades intrínsecas em cada cenário.

Encontro em BH: Gratidão!

Sábado passado em BH foi tudo muito bem! Para mim é sempre um imenso privilégio: Pelo que conversamos, pelo que compartilhamos sem mesmo falar, pelas inúmeras manifestações de carinho de gente tão diferente em “rótulos”, mas tão parecidas em essência. A ideia aqui é agradecer à absolutamente todos os que se disponibilizaram a encontrarem-se comigo. Sempre saio melhor do que entrei. Obrigado !  bh1 bh2 bh3 bh4 bh5 bh6

Quem sabe o que?

Quem sabe alguma coisa de verdade? Algum caminho que já tenha percorrido ao ponto de dizer: “Vi absolutamente tudo o que tinha para ver. Já sei tudo!” ?. Qualquer um que viva sem espaços, sem aberturas, sem humildade para reconhecer-se como fragmento do absoluto, parcial nas próprias perspectivas e entendimentos, jamais experimentará a sensação de preencher-se de mistério. O incomunicável que se apreende no silêncio, na observação, na paz de quem não teme mudar de opinião, crescer, refazer-se, quando necessário.

Flavio, você acredita no mal?

“Flavio, quando você diz que os acontecimentos de fora refletem os de dentro não está desconsiderando a existência do mal como realidade? Considere, no entanto: o mal existe, tragédias acontecem, dores, privações, homicídios, torturas, etc… Esses eventos não deixarão de serem ruins e maus, apenas pela minha mudança de entendimento sobre eles. Eles, inevitavelmente geram marcas e cicatrizes. Você acha mesmo que o mal é uma ilusão?”

– Não me refiro à natureza dos acontecimentos, mas de nossa percepção, inclusive nossa falta de capacidade em definirmos exatamente o que é “bom” e o que é “mau”.

Cito tragédias coletivas como exemplo, especialmente quando um mesmo evento suscita percepções diferentes, desdobramentos que se conectam as diferentes leituras.

No plano imediato inegavelmente foi “mal” (perseguição a judeus, tsunamis, vulcões), mas chamo atenção sobre o quanto nosso olhar pode modificar desdobramentos subsequentes, relativizando a percepção maniqueísta e absoluta. Acredito que é justamente o que me habita que definirá minha “impressão”.

Não estou com isso dizendo que bem e mal não existem, especialmente porque, se posso percebê-los (mesmo quando não está claro) é porque essa dualidade faz parte de minha natureza, no entanto, acho importante enxergarmos o nível de nossa interferência nos processos da vida, especialmente nossa tendência em reagirmos imediatamente sem refletirmos, sem a suficiente percepção do quanto somos responsáveis pelos cenários que de algum modo sempre refletem o que somos.

Obviamente existe a questão da existência e natureza do mal, mas, sinceramente, acredito que antes desse debate é preciso um pouco mais de clareza sobre o “mal” que projeto e o “bem” que faz mal.

Ficar no absoluto sem olhar para isso pode diminuir a capacidade de compreender a natureza dos acontecimentos e repercussões interiores.

Se não podemos evitar as tragédias e tantas vezes somos pegos de surpresa pela imprevisibilidade da vida, podemos sim escolher o que vamos fazer com os acontecimentos, qualquer um, essa escolha é nossa e, acredite, pode mudar mundos inteiros com um simples movimento de consciência.

Não estamos aqui para debater sobre os fundamentos e a natureza do bem e do mal, isso não levará a nenhum lugar produtivo. Bem e mal existem como realidade em mim e se projetam pelo olhar (a lâmpada do corpo):

Se seus olhos forem bons, tudo será bom, no entanto, se o seu interior for “mal”, acredite, o mal se espalhará como chão em cada canto que pisar. Essa escolha é nossa e cabe a cada um revalidá-la em cada etapa do caminho.