Um dia na terra

Você está experimentando mais um dia na Terra. É uma grande oportunidade.

Verá outras pessoas, interferirá em mundos e, ainda que não sinta, se deparará com inúmeras possibilidades de mudar tudo. Hoje é um dia crucial, se você enxergar. Daqui há pouco esse texto cairá no esquecimento, talvez em algum “compartimento” de sua mente, mas espero que ele deixe você alerta.

Que ajude a enxergar cada pequeno acontecimento do cotidiano, qualquer um, por mais “comum” que seja como um sinal. Hoje, agora, você está absolutamente rodeado por sinais: Em casa, no trabalho, no trânsito, em qualquer lugar, portanto, não deixe que os contratempos do dia a dia desviem sua atenção. Procure manter-se em silêncio, fale menos, ouça mais, tente não julgar ou pensar que já sabe de tudo, não se apresse!

Enxergue. Enxergue-se.

Seu dia prosseguirá, você vai fazer o que deve fazer, já deve ter alguns planos em mente, mas, mantenha-se aberto para o inesperado, inclua a possibilidade da surpresa, perceba o fluxo da vida fluindo na direção do equilíbrio e do entendimento na tentativa de simplesmente organizar seus pensamentos e cessar os ruídos desnecessários.

Você não precisa de muitas coisas e, acredite, provavelmente o que lhe inquieta é apenas um sintoma. Hoje pode ser um dia crucial e tudo o que você precisa fazer é deixar que seja. Não atrapalhe. Não corra mais do que os acontecimentos. Comece cuidando de sua mente, aquietando sua alma, confiante, sereno, grato inclusive por aquilo que ainda não vê, mas sabe que de alguma maneira já é.

Vamos fazer assim? Cuide-se, fique bem.

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Relações virtuais. O que pais e mães precisam pensar. – INSIGHT

Daqui para frente a tecnologia será um dado cada vez mais presente na vida de todos. A não ser que algo completamente inesperado aconteça, essa é uma tendência irreversível. Como será o mundo daqui 10, 20, 30 anos? E os que viverão depois de nós, como devem ser preparados? Como agir com as crianças cada vez mais seduzidas pela virtualidade? É sobre isso, especialmente sob a perspectiva de como lidar com as crianças é que eu falo nesse mais novo Insight. Vale para as crianças, mas vale para adultos também.

Isso deve bastar

Às vezes me perguntam “Flavio, quando você despertou?”. Acho engraçada a pergunta porque não acho que já despertei, mas estou despertando. Há tempos em que sinto ter caminhado mais, outros tempos parecem sem grande evolução, mas é assim, um pouco por dia, sempre.

Confesso que me incomodo quando vejo gente tentando vender a ideia de completa iluminação, como se já tivesse visto tudo, transcendido o ego por completo, iluminado todos os porões da alma, os sótãos da mente, os cantos mais escondidos da própria humanidade.

Andam por ai como seres acima da própria relatividade, esquecendo que ser humano é condição essencial para quem quer despertar. Quanto mais forte tento aparentar, quanto mais distante do cotidiano, das experiências do dia a dia, mais enfraqueço. Estranho perceber que minha força mora exatamente nas contradições, no assumir-se, no enxergar-se. É na relatividade aonde me encontro.

Portanto não há despertos entre nós. Ainda que alguns tenham caminhado um pouco mais, para, ao chegarem em determinado estágio, perceberem o tamanho de própria cegueira e conclua que o pouco que sabe serve para aumentar a percepção que falta muito. Quanto mais aprendo, mais consciente do pouco que sei.

Não posso medir o quanto alguém evoluiu em percepções, pelo menos não a partir dos discursos ou teorias. Isso porque, quanto mais enxergo, mais claro que entre nós não há hierarquias de “mestres” e “servos”, mas gente. Gente que está aprendendo a caminhar, tropeçando nas próprias pernas muitas vezes, cada um com seu nível de compreensão, seus processos de maturação, seu tempo para ver as coisas.

Quem enxerga não quer ser superior. Quem enxerga vira amigo, irmão, humano que conhece suas próprias dificuldades e por isso mesmo é paciente com o outro, não julga, não se esforça para parecer o que não é, simplesmente caminha junto, ajudando, deixando ser ajudado, em simplicidade, em verdade.

E assim, todos os dias, um pouquinho em cada tempo, sem pressa, sem angústia, despertaremos até que não seja mais necessário estar aqui. Enquanto isso, sigamos no caminho em gratidão pelo simples fato de sermos humanos e de podermos caminharmos juntos. Isso deve bastar. 

O descanso que procuramos

Toda inquietude, todas as dores, todos os ruídos que tantas vezes parecem nos invadir são apenas expressões desorganizadas de algo maior, de um potencial de vida,a capacidade de se expressar em amor.

Talvez não esteja claro agora. É necessário pacificar-se para entender.

Não é o mundo, nem as pessoas, nem nada mais que deve promover paz em nós. Esse é nosso condicionamento, geralmente é assim que somos levados a acreditar: A paz está em algo a ser buscado, uma meta, uma pessoa, um evento que um dia encontrarei.

Essa busca insaciável nos desorganiza.

Faz com que as emoções enfraqueçam, nossa natureza seja distorcida, a criatividade diminui, coloca-se um véu denso e escuro sobre a capacidade de enxergar com clareza. Tudo o que temos naturalmente como potencial humano, toda beleza se confina em uma estrada estreita, congestionada, poluída.

Como aquele mundo de gente que sai no feriado para o litoral achando que encontrará felicidade em uma praia lotada, carros literalmente estacionados nas estradas, falta de estrutura, de água, de comida, horas de paciência na ida e na volta enquanto a cidade desfruta de rara paz.

Entende o que estou falando?

As dores existenciais que não sabe explicar, a sensação de que tem coisa faltando, o desconforto latente diante do que as pessoas tem se tornado, diante do que você mesmo tem se tornado, não indicam “doenças” necessariamente, pelo contrário, podem indicar que há em você, dentro, muito mais do que convém aos “donos do mundo”, os que usam nossa sede para criar zumbis em prisões emocionais, escravos que passam a vida inteira buscando lá fora, em tudo o que dizem, ou melhor, que vendem, o que encontrariam se simplesmente se enxergassem com verdade, se parassem de correr atrás de todos os pneus que passam pela estrada.

A paz mora ai dentro. Não fora. Não lá, mas aqui. Tudo ficará absolutamente claro quando você se permitir parar, aquietar e enxergar. Não há fórmulas mágicas, encantamentos ou nada que substitua esse entendimento básico: É preciso enxergar-se.

Siga seu caminho em simplicidade, com alegria, presente no hoje, no agora, encontrando significados no cotidiano. Seja humano, seja você.

Esteja consciente. O que hoje parece desarmonia, refletirá sua paz interior e naturalmente se harmonizará conforme acontecer em seu coração. Só não inverta as coisas, não se engane, não se perca.

O mundo é dentro, o reino de Deus é dentro, a paz é dentro. Pare de buscar fora, de procurar culpados. Não são os outros é você. Pare de se distrair com tantas bobagens, com tanta pena de si mesmo, pare, e, então, finalmente, encontrará descanso. 

Ciclo

Cada vez que você é afetado pelos reflexos de um ato praticado por outro, seja no passado ou no presente, tem a chance de dar uma resposta de amor.
Sempre que faz isso, melhora o outro em você.
Como todos são conectados, suas respostas em amor dá ao outro
uma chance que – da mesma maneira como aconteceu com você – volta para ele como outra via de possibilidades.
Se ele entende e também responde em amor, criará um ciclo de pacificação que vazará para mais gente.