Entrevista : Economia consciente, Crescimento, Sustentabilidade – Um olhar mais amplo

É possível modificar nossa relação com o mercado de trabalho, projetando significados em nossas “metas” ? Como transcender o discurso do lucro por lucro e enxergar valores que estimulem percepções mais abrangentes da importância de um trabalho, seja ele qual for? – Esse e muitos outros assuntos foram discutidos nessa entrevista com o consultor Leonardo Siqueira. Ele inclui filosofia, pensamentos orientais e dá dicas para quem percebe que é necessário encontrar significados no dia a dia. Acompanhe!

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Abrir mão

Abrir mão é um grande aprendizado. Abra mão. Deixe a areia escoar entre os dedos, não tente segurá-la. Permita que o vento leve as plantas sem raiz, como o fluxo do rio carrega detritos, a natureza absorve os corpos e os transforma em outra coisa.

Como o tempo que leva a juventude em troca de sabedoria, as experiências sobrepondo-se, alterando cenários, recolocando-nos em novas perspectivas. É preciso saber abrir mão.

Fazer como o corpo que se refaz enquanto células renovam, a primavera que chama o verão, o verão cede vez ao outono, o outono, amigo do inverno, nada fica, o tempo que vem, o tempo que vai. Nenhum segundo se mantém, fragmento de tempo chamado agora, jamais se fixa; um segundo, depois outro, e outro de novo.

Abrir mão da imagem, do vigor, da reputação, da saúde que o tempo um dia leva. Abrir mão dos que vão, dos dias que não ficam, das memórias que se apagam.

Como o dia que apaga e vem a noite. A noite termina, abre mão do silêncio e vem o sol anunciando que ela se foi, de novo, novo fluxo, novo dia. E o dia escoa entre os dedos, entre os galhos, entre as sombras que a noite engolirá.

Abrir mão é assumir-se impermanente. Rendição à corrente das águas, ao mistério da vida, ao fluxo da graça que destrói e refaz, nos cerca e dá a perspectiva do tempo e de tudo o que ele nos leva, nos traz, nos faz aprender que, para que a vida se renove, é preciso esvaziar-se, morrer para viver. Abrir mão é um grande aprendizado.

Meu caminho é o correto?

“Como saber se o caminho que queremos é o correto e que não iremos nos arrepender logo adiante?”

A primeira coisa que precisa saber é: Não há garantias. Nunca há.
Ainda que tenha certeza que determinado caminho levará à algum lugar, como saber o que vai acontecer no percurso?

Não temos o controle, por mais que tentemos, ainda que queiramos, nenhum de nós pode ver cada variável, cada curva chamada de aleatoriedade, as mudanças do vento, do clima, dos cenários, das estações, ora frias, ora quentes, nada é fixo, tudo está em constante movimento.

Nossa tendência é tentar a “segurança” de fixarmos nossas vidas exatamente naquele ponto onde tudo parece perfeito. Mas isso é ilusão. Seria trágico, afinal, não estamos aqui para o conforto da estagnação, mas para o exercício do movimento, da mudança, da transformação. É assim em todas as dinâmicas da natureza, por que seria diferente conosco?

O fato é que nenhum passo é garantido, pelo menos em relação ao desfecho que lhe motivou determinada escolha. Você caminha achando que será de um jeito, então tudo muda, o céu se encobre por nuvens pesadas e a paisagem de sol se transforma em temporal.

Você não irá sempre para onde quer, mas, se estiver atento, se não ficar lamentando, adulando o passado, projetando o futuro, sentindo pena de si mesmo, perceberá que está exatamente onde precisa hoje.

Pode ser que escolha um caminho mais longo, talvez faça algumas voltas a mais, mas elas também são necessárias.

Atalhos geram almas imaturas.

Estamos expostos ao que precisamos e toda inquietude é fruto de nossa resistência ao que contribuirá para forjar maturidade e consciência.

Quer saber se seu desejo é o “correto” ou não?

Pare de sofrer por isso, acalme sua mente e ouça o que seu coração diz. Pacifique-se apesar dos cenários e não condicione sua paz a determinado acontecimento, apenas acalme-se e perceba que viver o que está vivendo faz-se absolutamente necessário hoje. Sua própria resistência é prova disso.

Caminhe conforme sua consciência, preste atenção no caminho, no hoje, no agora.

Pode ser que não chegue onde pretende, pode ser que adiante uma curva, algo que modifique a direção, as intenções, as necessidades e você prossiga feliz para outro lugar que só viu porque estava caminhando.

Não há garantias, apenas a certeza de que nossa caminhada jamais será vã.
Mas isso você só saberá se caminhar.

Siga em paz, não tenha medo e, enquanto anda, as explicações virão. Caminhemos juntos.