Novo tempo

O tempo é um caminho. Tudo passa por ele, prossegue e assume o que é. Assim como nós, caminhando em corpos que vem e vão, até que sejamos absorvidos, até que estejamos em casa. Estamos todos à caminho, pelo tempo, pelos corpos, pela vida em suas infinitas linguagens, expressões de uma coisa só que por alguma razão fragmenta e se reconhece como “eu”. Eu à caminho.
Nossos corpos são caminhos. Túneis de passagem entre o antes e o depois, o ontem e o amanhã, percepções que acontecem ao mesmo tempo, no único tempo, o tempo que chamamos hoje.
Hoje é dia de renovação de espírito que se expressa na virada do calendário, no ano novo que chega, nas pessoas reunidas, nas festas, nos abraços, nas promessas e balanços, dia de novo tempo no caminho que somos, na esperança de que o velho se renove, que todos os dias que virão sejam dias de consciência, de esperança, de crescimento, de paz. Ano novo no caminho que somos. Novo, todos os dias, no caminho que sou.
Um grande beijo, sou grato por sua presença em 2014. Cuide-se, fique bem! Flavio

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Natal no dia chamado hoje

Entre humanos não deveria existir fronteiras.
Não deveríamos precisar de um dia específico para nos respeitarmos, falarmos de amor, substituirmos o condicionamento da pressa pelo condicionamento das compras.

Entre humanos deveria haver humanidade.

Ser no outro, identificando pedaços de mim no anônimo, no amigo, no inimigo, até que não seja mais “outro”, até que sejamos um só.

Se Cristo nascesse nos vínculos não haveria manjedoura, nem presépios, nem templos, nem discursos. Deus na gente. Homens e mulheres que na vida se respeitam, se acolhem, se amam.

Significados diários que nos vincula como partes de algo maior; absoluto que se fragmenta na simplicidade do cotidiano.

Para que o universo viva em cada coração, nascimento sempre que uma consciência desperta, fronteiras que deixam de ser, separações desnecessárias, natal na gente, o tempo todo; Natal no dia chamado hoje.

Amor

Amor é uma coisa, apego é outra. No primeiro caso, a base é a liberdade. No segundo, o sufocamento, o auto engano.
Quem ama enxerga. Discerne a hora de ir, voltar, dizer, calar. Amar implica em ser sábio, paciente para maturação dos processos. É preciso ter calma para entender o tempo de cada coisa. É preciso ter calma e enxergar-se.

Há situações difíceis envolvendo pessoas que se amam. Pais que sobrecarregam os filhos, cônjuges que não se respeitam mais, amigos que não se perdoaram, gente vinculada por alguma magoa, pesada como uma corrente presa aos pés, tropeçando, caindo, tentando levantar.

Desapego é livrar-se da corrente, jamais das pessoas.

Pode ser preciso afastar-se por um tempo para se recuperar, ter seu próprio espaço, mudar de ambiente. Talvez seja o contrário, hora de aproximar-se, diminuindo a distância que gerou o mal entendido, quem sabe uma conversa franca e aberta seja suficiente? Não há fórmulas prontas. Apenas livre-se das correntes e saberá o que fazer. Isso é desapego.

Você pode pensar que “se apegou” a alguém. Isso é impossível. O apego está ligado à sua insegurança, aos seus medos, vazios, que se projetam em alguém.

Você não está preso à pessoa, mas em si mesmo. Podem ser pais, amigos, marido, esposa, filhos, até o cachorro. Conheço uma mulher com quase 40 anos que trata seu bicho de pelúcia como filho. O apego não está no bicho, mas nos vazios dela. O bicho só recebe essa carga. Ela não precisa se livrar do bichinho, mas encarar seus vazios.

Desapego é abrir mão do excesso. É a coragem de enxergar-se nos maus entendidos, assumir sua responsabilidade nos desgastes, repensar até que ponto tem contribuído para que as coisas estejam fora de controle. É livrar-se da corrente e prosseguir com leveza, em amor.

Amor gera auto crítica porque amor é consciência. É a gênese das desconstruções, do livrar-se da sobrecarga, do silêncio necessário para entender as causas, enxergar aonde tem errado, ter coragem para abrir mão do que precisa ficar para trás.

Jamais abandone as pessoas, ainda que em alguns casos a distância seja necessária. Jamais se omita diante da necessidade de alguém, mesmo que existam situações aonde o silêncio é mais eloquente. Nunca mate outro ser humano dentro de você, mesmo que seja importante afastar-se.

Desapego é enxergar-se no que te aflige, seja o que for, abrir mão do sentimento de vítima, entender aonde alimenta os processos e assumir que não precisa ser assim. É pacificar-se e prosseguir, amando as pessoas em liberdade, deixando as correntes pelo caminho.

Humanos

É por isso que insisto tanto na necessidade de nos humanizarmos se de fato queremos ser espirituais. Uma coisa está ligada à outra e com o tempo aprendemos que nossa força se vincula a capacidade de enxergar-se fraco e então superar-se, de reconhecer que é difícil e então caminhar, de sentir que está pesado, mas mesmo assim dar mais um passo. Será assim até que cresçamos, até que deixemos de cometer os mesmos erros e gradualmente avançarmos no caminho.

Em que você tem se transformado? – Insight

Você que não sente que o tempo passa e às vezes se surpreende com a imagem refletida no espelho.

Você que vive o cotidiano sem graça, sem gosto, sem vida e pensa que todos os dias são exatamente iguais. Vive sem sentir as pequenas modificações que o tempo provoca e faz com que hoje você não seja exatamente o mesmo de ontem.

Preso à manada aprendeu a caminhar sem refletir, simplesmente seguindo o fluxo que vai, mas não sabe para onde, vive, mas nem sabe a razão.

Você que não vê, morre o que foi, renasce diante de novas escolhas, possibilidades carregam potencialidades de melhora, de crescimento, de ser com o tempo que não para, o tempo que é.

Você, apegado a sensação de segurança, de controle, que trabalha para que nada se altere, que imagina que tudo será como sempre foi, ou você que espera dias melhores, de repente sentiu que a vida patina no mesmo lugar e não consegue notar que as coisas modificam.

Que tal deixar que o tempo trabalhe em seu favor?

Abrir mão do sentimento de que pode controlá-lo, percebendo o fluxo natural da vida que leva e traz, cria e desconstrói, aproxima e afasta até que estejamos prontos e percebamos de fato em que estamos nos transformando.

Talvez seja hora de entregar-se ao fluxo da vida com naturalidade, sem medo, em paz, atento a cada novo cenário, cada pequeno movimento de renovação que carrega sementes de consciência e nos renova diariamente a chance de sermos pessoas melhores. – flaviosiqueira.com

Busca pelo amor

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Estamos todos em busca do amor. Não sabemos ao certo onde está e por isso buscamos. Que busca incessante! Não é a busca de um único homem, uma única mulher. Não se limita aos seus sucessos ou fracassos, a necessidade de conectar-se, de estar perto, de preencher o vazio tão grande; abismo do amor.

Nossa busca é a busca de todos. Dos pais que ainda tateiam no escuro e continuam tentando, os filhos, distraídos, não sabem que viverão à procura de algo, cercados de almas ansiosas por serem encontradas. Esperamos ser encontrados.

Nossa busca é a busca pelo encontro e o encontro é o descanso de ser. Queremos amor como porta, como céu, como ar. Amor que nos coloca para fora e convença à felicidade. Amor liberdade. Ser quem é.

Ser no outro, na outra, naquilo, lá, no espaço que é apenas reflexo, no lugar que é projeção, ser quem é enquanto fugimos, enquanto buscamos, incessantemente, quase em desespero, enquanto não somos encontrados.

Amor é encontrar-se. É descansar, cessar a busca, deixar ser amado. A pressa é sede, a sede é vazio, o vazio é saudade de ser quem somos. Amor é quando perdemos o medo de cair e mergulhamos no desconhecido. É perder o controle.

Nossa busca pelo amor é a busca por nós mesmos. Até que haja descanso, até que aquietemos e deixemos de fugir. Perder o medo de sermos amados. Apenas deixar que o amor nos revele, nos mostre quem somos, nos livre da busca, nos coloque no chão.

Programa Mensagens que chegam pela manhã: Troquemos de mestres!

Ouça o programa que foi ao ar no dia 17/12/2014 inspirado no texto “Troquemos de mestres!” publicado aqui no blog.

“Antinaturalmente passamos a vida tentando negá-la, construímos uma bolha de distrações tentando pensar que seremos eternos, homens e mulheres gargalhantes que dominarão o planeta, os animais, e, se possível, os semelhantes mais fracos. Por que não?
Que tipo de racionalidade nos faz pensar que somos os únicos seres pensantes na terra? Alias, o que nos faz pensar que de fato pensamos?”  Acompanhe: