Razões para não desistir e se manter vivo

O que torna nossa alma o que é, o olhar sensível, a consciência aberta para a vida não são os grandes acontecimentos, as verdades mais profundas, o fato de que o mundo inteiro nos habita e somos maquete do universo.

Nada disso terá absolutamente nenhum significado se não estivermos vinculados à vida real, às experiências diárias das chamadas “basicalidades”, do arroz com feijão, da caminhada diária, das mulheres apaixonadas, dos homens sensíveis, das mães que não dormem enquanto os filhos não voltam para casa.

Se meus olhos não estiverem abertos para a beleza que irradia do cotidiano, jamais poderei entender o significado dos chamados “mistérios” da vida porque tudo o que aparentemente é mais profundo se expressa em simplicidade nos eventos do dia a dia.

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4 comentários em “Razões para não desistir e se manter vivo

  1. Flávio, como sempre você sempre busca espanar o supérfluo e realçar a simplicidade das coisas. Parabéns amigo.
    Um excelente dia!
    No céu, muitas nuvens fofinhas!!!
    Mp

  2. Obrigado Flávio!…O que mais me chamou a atenção dessa vez em suas colocações,…foi sobre a relativização dos “níveis de relações”, …que na maioria das vezes acabam se tornando um tanto “embassados” pelo embotamento e pela falta de sensibilidade de nossas próprias percepções.
    Abraços

  3. Flávio, o que você diz neste vídeo é perfeito, em sintonia com o que penso e que identifiquei também neste texto abaixo, que li no livro de Joseph Campbel “O Poder do Mito” – se tiver tempo, um dia, procure este livro, é ótimo! Me permita compartilhar com você e seus leitores:
    “….Tome, por exemplo, a história de Tonio, no Tonio Kröger, de Thomas Mann. O pai de Tonio era um sólido homem de negócios, um cidadão de relevo em sua cidade natal. O pequeno Tonio, porém, tinha um temperamento artístico, por isso mudou se para Munique e reuniu se a um grupo de literatos, que se sentiam superiores aos meros ganhadores de dinheiro e aos homens de família.
    Assim, eis aí Tonio dividido entre dois pólos: seu pai, que era um bom pai, responsável e tudo o mais, mas que nunca tinha feito o que queria, em toda a sua vida; e, por outro lado, aquele que deixa sua cidade natal e assume uma atitude crítica em relação à vida que se levava lá. Mas Tonio descobriu que de fato amava a gente de sua cidadezinha. E embora se julgasse um pouco superior a eles, em termos intelectuais, e pudesse falar deles com palavras cortantes, seu coração, apesar de tudo, estava com eles.
    Mas quando partiu, para viver com os boêmios, descobriu que estes tinham tal desdém pela vida que tampouco poderia viver com eles. Por isso deixou os e escreveu uma carta a um do grupo, dizendo: “Admiro aqueles seres frios e orgulhosos que se arriscam nos caminhos da beleza elevada e diabólica e menosprezam a ‘humanidade’; mas não os invejo. Pois se alguma coisa é capaz
    de fazer de um literato um poeta, essa coisa é o amor de minha cidade natal pelo humano, aquilo que existe e é comum. Todo calor deriva desse amor, toda doçura e todo humor. De fato, quanto a mim, creio mesmo que esse amor deve ser aquele sobre o qual está escrito que se pode ‘falar com a língua dos homens e dos anjos’, que no entanto soa, quando o amor falta, ‘como metal
    ruidoso ou címbalo tilintante’”.
    Em seguida, ele diz que “o escritor deve ser verdadeiro para com a verdade”. E ele é um assassino, porque a única maneira de você descrever verdadeiramente um ser humano é através de suas imperfeições. O ser humano perfeito é desinteressante – o Buda que abandona o mundo, você sabe. As imperfeições da vida é que são apreciáveis. E, quando lança o dardo de sua palavra verdadeira, o escritor fere. Mas o faz com amor. É o que Mann
    chamava “ironia erótica”, o amor por aquilo que você está matando com sua palavra cruel, analítica.”

    Mais uma vez, obrigada!!

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