Cuidado!

cuidado1

Cuidado com o que escrevo. Não me proponho a levantar seu astral, dizer que você nasceu para brilhar e que, se seguir minhas orientações, terá sucesso financeiro. Pelo contrário. Se prestar atenção, é provável que no começo a sensação de desconforto substitua o que antes parecia adequação. Falo sobre a necessidade de não permitir formatar-se pelas formas da sociedade.

Cuidado com o que escrevo. Não tenho intenção em afirmar superioridades religiosas, morais, intelectuais, acho tudo isso besteira. Pelo contrário. Se prestar atenção, é provável que comece a questionar o que aparenta ser de concreto, mas não resiste ao sopro da consciência. Falo sobre a necessidade de ser livre, pensar por si mesmo, questionar-se para finalmente enxergar.

Cuidado com o que escrevo. Não sigo nenhum tipo de cartilha pronta, nenhum manual, nem promovo nenhuma espécie de sistema de formatação do pensamento. Pelo contrário. Se prestar atenção é provável que logo esteja desconfortável diante de toda tentativa de aprisionar mentes e submete-las a dogmas que apenas fragmentam. Falo sobre a necessidade de aquietar-se para perceber, transcender os ruídos que as cartilhas propõe e finalmente pacificar-se.

Cuidado com o que escrevo. Se estiver procurando um grande mestre iluminado que sabe mais do que todos, que se propõe a ser luz no caminho, esqueça. Pelo contrário. Falo sobre a necessidade de trilhar seu próprio caminho em humanidade, andar com as próprias pernas, ser mestre de si mesmo. Coloco-me como amigo que caminha junto e compartilha sua própria percepção que não é e jamais será absoluta. Sou fragmentado como você e tudo o que vejo é com parcialidade.

Creio que todos estamos compartilhando uma grande experiência que não pode ser desperdiçada. Ela fica mais fácil enquanto nos propormos a caminhar juntos, ajudando uns aos outros em simplicidade, expostos às inevitáveis desconstruções, doloridas tantas vezes, nos livrarmos das muletas, dos medos, das culpas.

Nenhum de nós sabe amar de verdade. Tudo o que chamamos de amor é um pedacinho, um pálido reflexo do que somos, de onde viemos, para onde vamos, o que somos e não vemos, o que nos preenche silenciosamente, o que nos envolve, ainda que não percebamos.

Cuidado com o que escrevo, especialmente se lê tentando legitimar-se, procurando algum tipo de confirmação para o que promove sentimento de superioridade, se pensa que terá fórmulas mágicas ou frases de impacto, se espera que eu confirme o que seu mestre ou sacerdote dizem. Se vier com essa intenção, certamente ficará bravo ou confuso porque me permito o direito de pensar, de dizer o que vejo, de propor conforme minha própria experiência. Sugiro que faça o mesmo.

Reconheço que meus textos podem gerar desconforto em gente que virá se defender na tentativa de evitar enxergar-se. Haverá os que piedosamente exortarão aos leitores para se precaverem, defenderão a si mesmos com seus escudos de sempre, mas a esses poupo o trabalho: Vocês tem razão!

O que escrevo pode ser muito perigoso e os efeitos costumam ser bem diferentes das aspirinas que tomam, portanto, se não está disposto a começar por si mesmo, confrontando sua versão para consumo com o que de fato você é, melhor ter cuidado, o que escrevo pode ser muito perigoso.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s