O céu que me habita

 

 

 

“Limitado em sua natureza, infinito em suas aspirações, o homem é um deus caído que sente saudades do céu” Lamartine

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Esse texto é uma confissão. Começo revelando uma frustração: Não tenho asas. Sinto como se um dia elas tivessem sido amputadas e fico como alguém que perde a perna e mantém a sensação de que ela está lá. Olho o céu com nostalgia e os pássaros com ciúmes.
Sempre mantive essa relação com o céu e tudo o que ele representa: Amplitude, mistério, liberdade, transcendência, profundidade… Meus primeiros insights nasceram da observação do céu à noite. Eu via estrelas, a lua, satélites que cruzavam o espaço e me sentia completamente insignificante. Um verme boiando no infinito, pisando no chão de uma terra que é apenas mais um entre tantos e tantos planetas.
Depois fechava os olhos e inexplicavelmente sentia uma inegável correspondência entre o mistério suspenso no céu e espaços inexplorados dentro de mim. Notava que a simples percepção daquele fenômeno, o sentimento de insignificância, a reverência ao mistério, nasciam de alguma coisa igualmente desconhecida, algo que chamo de eu, mas não se limita a meu corpo.
Eu e as estrelas eramos irmãos. A lua me olhava, o céu, silenciosamente, me acolhia.
Com o tempo tentei chegar mais perto do céu. Fiz cursos de piloto, gastei muito dinheiro com horas de voo só para me aproximar das nuvens. Usei óculos ray ban e jaqueta estilo “top gun”, mas não era suficiente. O céu ainda estava distante, por mais alto que fosse nosso teto.
A vida mudou, eu mudei, tantas coisas mudaram e ainda sinto falta do céu. Tenho saudade de explorá-lo, de ser abraçado por ele, de usar uma nuvem confortável como cama, fechar os olhos e ficar lá. Quero cruzar espaços sem fronteiras impostas, sem obstáculos, sem nada que me prenda. Quero liberdade. Preciso ser livre.
Por alguma razão não tenho mais asas. Não posso voar.
Resta tentar outros meios, colocar-me no que faço, projetar-me no que escrevo, no que falo, no que penso, insistir na transcendência que deixou de ser física e se expressa no que sou. Tento me enxergar e vejo reflexos do céu.
A nuvem como cama, a estrela como irmã, a lua como amiga, os ventos, o frio, a liberdade, a perspectiva em amplitude, o mistério, a profundidade que me revela, vermezinho que sou, abrigo do céu, maquete do universo, sem asas, com o mundo inteiro dentro.
Parece que não mudei tanto. Sou o mesmo menino de outros tempos, ainda olho para cima com as mesmas inquietudes, ainda sinto saudade de casa, ainda sei que em algum lugar aqui dentro não há mais céu, nem terra, nem horizonte, nem separação de nenhuma natureza. Tudo junto, refletindo no tempo e no espaço o “eu” que me habita e que sente tanta saudade do céu.

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Um comentário em “O céu que me habita

  1. Bom dia querido! Te encontrei neste agora, mas, cada vez que você fala comigo, sinto mais afinidade. Eu nem tenho ideia de como é a projeção astral na prática, mas será que ela poderia te ajudar a alcançar o céu? Abraço fraterno.

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