Espaços

claustrophobia
Cidades e seus espaços limitados. Trânsito lento, apartamentos pequenos, calçadas estreitas. Gente apressada, confinada em seus carros, em seus ternos, em si mesmos.
Onde estão os espaços para a dúvida?  Faltam espaços para o amor. A fé, confinada em caixinhas de sapato japonês. Relacionamentos estreitos, pensamentos pequenos, sonhos que deixaram de ser, gente encolhida, encurralada, apertada.
A alma quer liberdade. Se projeta na casa grande, no espaço amplo, na vista para o mar. Procura o abraço prolongado, as bocas, os beijos, o ar. Estica-se como pode, tenta romper o que prende e ser. “Compre”, “venha”, “faça”, “siga”, “vote”, “creia” e a alma vai, e a gente crê.
Os espaços continuam claustrofóbicos. Será assim até que a liberdade seja um valor. Será nossa casa a partir de agora, a liberdade.
Nosso espaço existe no ponto em que aceitamos estar. Entre o despertar e o sono, entre o que escolhemos ser, pensar, nas dimensões que se impõe como olhar e então se expandem e redimensionam todas as coisas.
Espaços não são lugares, são dimensões interiores.
Eles diminuem sempre que aceito o juízo dos pré conceitos, o peso da culpa, o medo de existir, de corresponder expectativas, de aparentar o que todos são. Fico pequeno quando deixo de ser, cresço quando sou.
A liberdade é uma conquista diária, um caminho para quem precisa de espaço, sente falta de ar, de céu, de gente, de vida. Espaços não são lugares.
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