Mensageiros que nem sabem que são

Sinto que tudo é mensagem e todos mensageiros. Mensagens que chegam no bico dos pássaros que alimentam os filhotes, sobem dos vapores que emanam do chão quente, caem junto com o orvalho e escorrem pelas folhas congeladas na manhã de inverno. Habitam no silêncio da madrugada e não fogem no irromper dos primeiros sons, elas continuam lá.

Nos olhos do anônimo distraído, nos passos apressados, a respiração cansada, afobada, estressada quem sabe?
Mensageiros que não sabem que são. Vivem suas vidas sem notar, tropeçam em milagres que se expressam no cotidiano, pontuações de mistério inseridas no vai e vem negligente, no cansaço desnecessário, desatento.
Se enxergássemos além de nossas inquietudes, perceberíamos a eloquência das mensagens, assustaríamos com a intensidade, a abrangência, a sutileza de cada movimento que gera sincronicidade, que promove equilibro, que conecta uma coisa à outra.
Somos parte disso. Linguagem em forma de gente, mensageiros, distraídos mensageiros, que nem sabem que são.

Woman-standing-by-sea

 

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