Um papo sobre fé

Um diálogo sobre fé com uma leitora:

“Fé: tudo aquilo em que se quer acreditar por não se ter certeza.

Dogma: aquilo que não se pode questionar e que, justamente por isso, repele qualquer inteligência.

Ambos não tem nada a ver com Deus, que antes de ser Amor, é Inteligência e Justiça totais.

Seu registro, Flavio,  desconsidera Deus enquanto Dons do Espírito Santo e enquanto Inteligência e Justiça Totais.

Quanto aos Dons: a Bíblia Judaico-Cristá é um verdadeiro tratado mediúnico e todos nós, sem exceção, somos portadores por sermos Centelhas Divinas. Os que já os têm desabrochado sabem da imortalidade do espírito porque vêem além dos olhos, ouvidos e sentidos da matéria. É uma questão de certeza, não de fé.

Quanto à Inteligência e Justiça Totais: onde estaria a Inteligência e Justiça Divina se fosse o acaso que determinasse um espírito encarnar com todas as condições favoráveis para o seu desenvolvimento (amor, família, conforto, segurança), enquanto outro tivesse que enfrentar todas as adversidades (doenças, fome, desamparo)?

O espírito, que é imortal, carrega em si todas as marcas do que já foi, ainda que a cada centelha divina sejam dadas infinitas oportunidades de desabrochamento do seu Deus interno.

Obviamente, essas condições jamais se restringiriam a uma encarnação.

Nada do que foi tratado aqui se relaciona a religião, não no sentido profissional com que seres humanos, que pretendem ensinar a Deus, atendem, na verdade, os seus interesses de bolso, pança, sexo, orgulhos e vaidades.

Leiamos sobre Hermes, Crisna, Pitágoras, Orfeu, Platão, Moisés, João Batista, Voltaire, João Huss, Anchieta, Kardec, Osvaldo Polidoro e tantas outras dentre as 37 Encarnações que o Próprio Princípio Sagrado teve neste planeta, e saberemos que A Doutrina de Deus, que é única, sempre foi entregue a essa humanidade na medida da nossa compreensão.

Mas, muito infelizmente, os religiosismos profissionais, o que fizeram, foi adulterar tudo em prol dos seus interesses.

E em nome da atitude criminosa dos ditos “homens de deus”, os ditos cientistas tudo fazem para negar a existência do Princípio.

Mas, um dia saberão que, sem Deus, não há Ciência Integral.”

Resposta:

Minha amiga, fiquei feliz que colocou seu ponto de vista aqui.

Concordo quando fala sobre tudo estar à disposição, e como os “religiosos profissionais” constantemente tendam adulterar o que é.

No entanto, quando você define por fé “ tudo aquilo em que se quer acreditar por não se ter certeza”, saiba que está criando um novo conceito para o que se entende por “crença naquilo que não vejo”. Nesse caso, grande parte de suas afirmações são puramente baseadas em fé.

Vejamos:  “ as 37 encarnações do “príncipe sagrado””, a bíblia é um verdadeiro “tratado mediúnico”,  somos “centelhas divinas”e assim por diante. Fé.

O fato de mudar a nomenclatura não altera o principio que, para crer no que não vê, é preciso fé. Não entenda como crítica, mas como uma constatação.

Justificar a existência da reencarnação ( nesse caso fica mais para o carma) ao questionar “onde estaria a Inteligência e justiça divina” , enquanto uns nascem na prosperidade e saúde e outros na doença e pobreza é encerrar a própria “inteligência e justiça divina” em sua própria “inteligência e justiça” restrita às suas percepções de tempo e espaço, afinal, “de que outra forma seria justo?” – você pensa. ( Tenho um texto inteiro falando sobre isso  aqui: https://flaviosiqueira.com/2014/06/03/o-que-penso-sobre-a-teoria-da-reencarnacao/ ).

Se defendemos determinados conceitos simplesmente por não encontrarmos outra explicação, encerramos a questão no que julgamos ser razoável, acreditando que, se eu não encontro respostas mais adequadas, a “inteligencia e justiça divina” também não, logo está provado: É porque é.

Será?

Hoje o estudo da física quântica tem dado outras respostas a antigas questões e até certezas da própria física mecânica. Há uma perfeita subversão da matéria quando estudada de muito perto. Isso tem relativizado conceitos fixos em todas as áreas, o que nos dá indícios de que, mesmo entre o que achamos cheio de lógica, nem sempre é.

Quando me refiro a “religião”, não me limito a alguma específica. Para mim toda instituição que se arroga como portadora de mensagem especial, onde ritos e práticas estão condicionados a vínculos com o divino, quando líderes se colocam como “ponte” para o eterno e seus seguidores na pretensão de que são portadores da verdade, procuram “converter” aos outros com suas lógicas absolutas, aí está uma religião, algo institucionalizado, pesado, opressor. (Já escrevi mais detalhadamente sobre religião aqui no blog também).

No mais, acredito que no fim das contas existe em nós portas de percepção para o que é bom e faz bem e isso se manifesta em amor e, sobretudo simplicidade. Essa é a linguagem mais poderosa.

Na teoria pode ser lindo, cheio de “príncipes e viagens transcendentais”, se o cheiro não for de amor e misericórdia, fico longe. Especialmente se não for fácil e acessível no cotidiano, no trato, na vida.

Sinceramente não creio em teses raivosas, defesas apaixonadas e cheias de verdades absolutas pelo simples fato de que sem simplicidade ficamos cegos.

Vivemos no mundo das possibilidades onde não se forja homens e mulheres melhores em tubos de ensaio, estudos enfadonhos ou doutrinas dogmáticas, sejam religiosas, científicas, políticas ou de qualquer outra natureza.

A busca pelo conhecimento, o acesso a leitura, estudo da filosofia, fazem bem à alma, arejam a mente, mas no fim das contas é só questão de opção intelectual já que as pessoas mais felizes que conheço são as mais simples de coração e , simplicidade de coração, se constrói com bondade nos olhos, grandeza de espírito e pacificação na mente.

Se a sede por conhecimento não mascarar angústias advindas de auto percepção, certamente fará bem.

Mas se ela é fruto de meus medos, se é usada como “boia” existencial para poder me agarrar diante do mar de inseguranças, se preciso do conhecimento para me auto afirmar e mensurar que sei mais do que os “ignorantes”, o resultado será um coração empedrado e uma mente restrita em seus próprios limites e conceitos geralmente baseados em moralismo e/ou medo.

Quanto mais simples, mais verdadeiro.

Afinal de contas, creio que as maiores verdades da vida são as mais despretensiosas e essas estão acessíveis aos mais simples de coração.

Essa é minha fé.

Obrigado por escrever !

Flavio

Simplicidade

Quem estou sendo

Quando você olha para alguém, vê apenas um fragmento, um flash em constante e em ininterrupto processo de transformação.
O que fomos ontem fixou-se em um frame de tempo, um lapso que marcou aquele exato ponto da história, mas não ficamos lá. Não somos aquele de ontem.
É como se descolássemos daquele segundo e pulássemos para o próximo, e o próximo, e o outro, e adiante, renovando, renascendo em cada instante, multiplicando as possibilidades de ser, na mesma proporção que o que éramos já não é, o que fizemos já ficou, e quem fomos deixou de ser.
Agora vive apenas em algum ponto de nossa interioridade como potencial, referência de experiências que influenciam quem estou sendo hoje e em cada instante.

Temos fome

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Temos fome. Nossas fomes se projetam em nossa avidez, nossa pressa, nossa voracidade por consumo.

Consumo de bens, de cultura, de ideias, de comportamento, de gente, de qualquer coisa que aparente suprir nossa fome. Gulosos, insaciáveis, prontos para o próximo petisco, a próxima beliscada que nos saciará por um tempo. Por pouco tempo.

Nossa fome é fome de amor. Não falo necessariamente sobre amor romântico, nem fraternal, nem caridoso, não é amor de caixa. É amor da vida, amor dimensão, amor selvagem porque não cabe em nenhuma estrutura, não se explica, mas se espalha pelo caminho, está na vida inteira, no cotidiano. Amor alimento, amor que é, amor que mata a fome.