Flavio você não é santo!

 

“Flavio perdoe a sinceridade, mas parece que algumas pessoas de “endeusam” como se você fosse um santo. Agem como se dependessem de você. E quando você não estiver entre nós? Gosto do seu trabalho mas isso me incomoda.”

 

– Amo meu filho e sei da minha importância na vida dele. Também sei que meu trabalho de pai é, sobretudo, torná-lo independente, jamais preso à mim. Seria crueldade agir de forma contrária.

Quero que ele seja o que é, que respeite seus limites, que enxergue-se sem medo. Enquanto cresce me empenho para que ele se desenvolva como homem, como humano e uma das coisas que faço e prepará-lo para o dia que eu não estiver mais aqui.

Um dia não estarei. Que ele saiba que tudo de bom que porventura tenha visto em mim é relativo, é humano e pode ser aperfeiçoado nele. É o mesmo olhar que projeto em meu trabalho.

Todos temos nossos condicionamentos e a maioria vem com essa mentalidade, mesmo que sutil, de projetar em alguém a simbolização do “bem”, como se eu ou quem quer que seja pudéssemos representar “oráculos”, “mestres iluminados”.

O problema é que muitos gostam da ideia e alimentam o processo. Não é meu caso. Sou gente. Não quero seguidores, mas desejo aos que me ouvem o mesmo que desejo ao meu filho: que sejam independentes, que cresçam, que enxerguem mais do que porventura eu enxergue.

Mesmo sabendo que nem todos ainda percebem, noto essa “projeção” como um estágio de imaturidade que ainda evoluirá.

Por isso me exponho com tanta frequência às desconstruções publicamente, na esperança que o reconhecimento de minhas ambivalências e contradições sirva de estimulo para que os que me ouvem não se inquietem com suas próprias.

Não tenho cara de santo, não uso roupa de santo, não tenho nome de santo, não sou santo. A não ser que o conceito de santidade seja amplificado dentro daquilo que falo tantas vezes: Ser santo tem a ver com o reconhecimento de minha humanidade, e toda perspectiva de perfeição deve incluir a consciência das imperfeições.

No fundo somos todos muito parecidos. Diante disso sugiro que não se inquiete quando notar que alguém ainda não viu. Saiba que de minha parte isso jamais será alimentado e, ainda que seja parcial, a sensação de que estamos todos caminhando já nos livra dessa tendencia tão humana, tão natural, tão presente no início da caminhada de tantos. Sejamos pacientes, sejamos pacificados, sejamos livres, sejamos humanos. Santos humanos 🙂

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