Mestres que formam mestres

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Não tenho paciência com seres ostensivamente evoluídos. Os que portam suas credenciais piedosas, seu jeito notável, a capacidade de estar acima das dores, das dúvidas, dos tombos necessários tantas vezes.

Sei que eu deveria aceitá-los com mais complacência, ser paciente, mas não vou ser hipócrita: Santinhos me irritam, especialmente por criarem artificialmente um padrão a ser seguido, uma imagem de superioridade que não será alcançada enquanto estivermos expostos aos sabores e dissabores da existência, dos relacionamentos, das experiências do dia a dia.

Antes assumam-se. Mostrem suas contradições por mais seguidores que percam, por mais que vendam menos livros, por menos dinheiro que ganhem. Confessem seus limites, suas dores, suas dúvidas; isso inspirará outros. Não pensem que são iluminados. A função de um “mestre” é formar outros mestres, jamais discípulos.

Vejo santidade em quem não almeja ser. Mestres em gente que jamais aceitaria tal condição. Evolução em quem assumiu sua simplicidade como consciência, como olhar para vida.

Prefiro lidar com gente. Gente como eu, como você, como quem sabe que espiritualidade sem humanidade produz arrogância. É preciso assumir o que somos e pacificar-se no caminho.

*A foto que ilustra esse texto é do documentário “Kumare” . Ele evidencia a necessidade das pessoas em terem seus mestres e como é fácil manipular isso. Indico!