Pela dor ou pelo amor?

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Quem, ao enfrentar um momento difícil nunca ouviu
a famosa e bem intencionada frase “crescemos com a dor”?

Outros se aproximam e quase sentenciam “se não for pelo
amor, será pela dor”.

No entanto, o que tenho observado é que sutilmente, sem que possamos notar,  corremos o risco de  projetarmos na dor todas as possibilidades de crescimento até ficarmos dependentes dela, sequestrados, emocionalmente viciados nas experiências mais difíceis.

Não é a dor que faz crescer. O que faz crescer é a capacidade
de projetar significados nas experiências, sejam elas de
dor, de alegria, de paz, de amor, ou mesmo as aparentemente
mais insignificantes, mais conectadas à própria experiência cotidiana.

Dor sem significado mata.

Alegria sem significado entorpece.

Amor sem significado cega.

Sei que não posso evitar por completo as experiências
difíceis. Estamos expostos a elas e precisamos que a vida seja
pontuada ora por alegrias, ora por dificuldades, mas posso escolher
viver atento, sabendo que no instante de crescimento,
a lição de vida, a experiência que me fará melhor, são todas
as experiências a partir do momento que eu puder enxergar
a vida inteira como uma oportunidade.

Não melhoro com a pobreza e nem me torno mais sábio
com a riqueza. Não evoluo com as catástrofes, tampouco me
enobreço com a bonança.

Não é pela dor e não será pelo amor se em nada disso eu projetar significado.

Acontecimentos são movimentos da história desprovidos de qualquer carga moral, punitiva ou meritória, aparentemente aleatórios e sem nenhuma razão de existir, até que eu enxergue, até que eu me veja neles, até que os transforme em experiência e,
com a experiência cresça, pacifique a mente e simplesmente
perceba que, no fim das contas cabe a mim enxergar possibilidades
de amor, seja na alegria, seja na dor.

Estou atento ao fato de que não há nada que não possa ser transformado em lição de vida, em ingrediente que me compõe como um ser humano melhor. Assim será se eu deixar que seja.