Quando vejo

Quando vejo perco a pretensão de ser portador de qualquer verdade, apenas porque agora eu vivo nela, naquela verdade que não cabe em palavras, que não é dos cristãos, nem dos judeus, muçulmanos, budistas, taoistas ou ateus. Nem dos cientistas, nem dos filósofos, nem dos mestres. Ela não é minha nem sua.
A verdade que supera meus códigos e me salva da loucura de pensar que “agora eu sei”. Quanto mais aprendo, menos sei, menos arrogante, menos ansioso e tudo por uma única razão: aprender implica em assumir que não sabe, em esvaziar-se e, humildemente, entregar-se ao mistério e a perplexidade de existir.

Eu caminho

O tempo é um caminho. Tudo passa por ele, prossegue e assume o que é. Assim como nós, caminhando em corpos que vem e vão, até que sejamos absorvidos, até que estejamos em casa. Estamos todos à caminho, pelo tempo, pelos corpos, pela vida em suas infinitas linguagens, expressões de uma coisa só que por alguma razão fragmenta e se reconhece como “eu”. Eu caminho.
Nossos corpos são caminhos. Túneis de passagem entre o antes e o depois, o ontem e o amanhã, percepções que acontecem ao mesmo tempo, no único tempo, o tempo que chamamos hoje. Um dia de paz pra você.