Deus no corrupto?

“Se Deus, eu e você somos um como posso enxergar Deus em um político corrupto ou em um ladrão ou mesmo em uma pessoa que atropela a outra e não presta socorro?”
 
– Não são as “virtudes” que nos dão a dimensão de Deus. Elas estabeleceriam níveis de comparação, determinariam “tabelas” de regras morais onde um tem “mais” Deus, outro “menos. É mais ou menos assim que nossa sociedade faz, especialmente quando diz que fulano precisa é de “Deus no coração”. Deus é selvagem.
Elegemos representantes de Deus baseados em moralidade, em ética, em posturas ilibadas e desconsideramos que o ser humano é composto de luz e sombras, ambivalências que se expressam de um jeito ou outro.
O ser que tenta refletir Deus em sua ética se corromperá no próprio orgulho.
Não vejo mais Deus em comportamentos moralmente aceitos, como não vejo menos nos chamados “imorais”, assim como não vejo Deus apenas no dia calmo, na praia linda, no céu iluminado. Vejo nas catástrofes naturais e cósmicas, na madrugada e na manhã, vida e na morte.
Deus é em tudo e tudo é em Deus. Limitar essa percepção a comportamentos éticos ou morais é arbitrar caixas para o que não caberia em nenhum dos nossos limites.
Quem puder entenda.