Uma conversa no FB: Seguir as pessoas é errado?

Flávio, você acha errado seguir alguém, alguma religião ou alguma coisa? A maioria das pessoas procuram se agarrar em algo algumas vezes não para serem escravas daquilo, mas para terem referências.
 
Flavio Siqueira: Não se trata de certo e errado, mas de liberdade e movimento. Se eu sigo, me guiarei pelo que me orienta. Pode servir por um tempo. Mas depois é preciso voar. A gaiolinha serve enquanto as asas são fracas, mas quando fortalecem, o pássaro quer o céu. – flaviosiqueira.com
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Asas amputadas

Sinto minhas asas amputadas. Não tenho o céu, mas tento… Vejo céu no mar, no ar, na vida, vejo o céu em gente, na gente…. Vejo o que se projeta como expressão de liberdade e se estende como tapete nos passos que dou. Tapetes, nuvens, céu que vejo sem asas.

thebirds

Onde cabe o amor?

Como se converte amor em palavras? Quem sabe um texto de Vinicius de Moraes, uma poesia, um som daqueles clássicos dos anos 70 ou antes ainda, um Francisco Alves, empolado, empostado na gravidade da década de 50, quem sabe?

Não sinto que eu seja capaz. Pessoalmente não gosto de palavras “chavão”, de adoçar demais, usar frases feitas na esperança de serem suficientes. Tem coisa mais sem graça do que “conte os grãos de areia da praia, as estrelas do céu e saberá o quanto te amo“? Até porque amor não se limita aos amantes, vai além disso.

Se não cabe em palavras, nem em melodias, como se expressa o amor? Há quem diga que amor é ser caridoso, é cuidar dos necessitados, é fazer o bem, mas quem conhece as próprias motivações? Quantas vezes a culpa nos transforma em uma espécie de Madre Tereza de Calcutá, ou pior, a necessidade de aprovação, de reconhecimento, como se todo bem que faço tivesse de ser alardeado, se não publicamente, tantas vezes interiormente. É aquele que na intimidade se gaba por tanta humildade, por “fazer o bem sem ver a quem”. Por melhor que seja, por mais que diante do agasalho ou do prato de comida, para o beneficiado, não faça a menor diferença quem ou por quê deu, aquele que se engana pensa que ama, só que não.

Que tarefa ingrata essa de expressar o amor que não se converte em palavras, não se limita em melodias, não pertence aos amantes ou caridosos!

Um último recurso: As religiões pregam o amor! Ouço isso tantas vezes. Basta chegar um pouco mais perto, conhecer as condições, letras minúsculas de um contrato que vincula amor à moral, à crenças, à fé, à frequência, à comportamento coerente com cartilhas: “amamos as pessoas, mas odiamos o pecado”, mesmo que o combate ao “pecado” aconteça enquanto combato o “pecador”. Amor? Acho que não.

Talvez o amor seja silencioso. Sutileza que não cabe em tons, em sons, eloquência que não encaixa em letras, maior do que nossa presunção de capturá-lo, pássaro que não permite viver em gaiolas, não pertence à ninguém.

Amor é uma dimensão. Terra para pisar, ar, vento, céu, amplitude, liberdade. Amor é consciência. Reconhecer-se ambivalente, mortal que abriga o universo, expressão de Deus que teme, que chora, que perde, que deixa de ser. Fragmento de absoluto com saudade de casa e, por isso mesmo, tenta sem sucesso cantar o velho hino da pátria distante no canto da mãe, no abraço da esposa, no beijo do filho, amantes que se tocam, suspiros para a lua, poesias, músicas, atitudes caridosas, tentativas de apreender o que está além. Amor, mistério, graça, consciência, silêncio… Como se converte amor em palavras?

Um jeito de ver

Sabe aquela saudade de algo que nunca viveu? Entre tantas teorias uma me agrada em especial. Ela diz que sempre que fazemos uma escolha, as outras possibilidades preteridas se realizam paralelamente em outros universos. Quem sabe?

É como se em algum lugar você fosse jogador de futebol, ou medica, ou cantor, ou bailarina, ou astronauta, ou bombeiro. Tivesse casado com o amor de infância ou até já tivesse partido.

Esses “eus” que se manifestam em realidades paralelas, são fragmentos de um único ser, nós que hoje experimentamos em parte o que de fato somos. É um jeito de ver.

Me faz bem pensar que tudo o que imaginamos ser manifesta apenas uma porção do que potencialmente somos, não necessariamente em outro mundo, mas dentro da gente.

Seja lá como for, não importa. O fato é que continuo sentindo o vento, o cheiro que vem de algum lugar e às vezes me toca e me enche de saudade de alguém que penso nunca ter sido, mas que de um jeito ou outro existe em algum lugar, talvez mais perto do que imagino.

Mudanças

Se o teu projeto de mundo melhor tem cor, tem lado, tem forma o fim será frustração. Se os seus pensamentos não existem fora das caixas ideológicas e excludentes a vida se encarregará de mostrar que é selvagem e jamais modelada por “planos perfeitos”. Não há perfeição, nem fórmulas que se adaptem a todos. A humanidade continuará sendo o que é enquanto eu não perceber que o mundo sou eu e que toda mudança de paradigmas começa quando mudo os meus. Nada muda enquanto nós não mudamos.