Aquele que eu vejo

5281319702_b0b1dfda56_b

Você que pensa que é gordo. Que se gaba pelo corpo bem trabalhado ou se inquieta por achar que é baixinho. Você que acredita na imagem do espelho e pensa que é o que os olhos captam e a mente projeta. Que vê os corpos nas ruas, os passos apressados, desatentos, desconexos e acha que viu tudo.

Você não é o que vê. Seu tamanho é o tamanho de suas verdades, de seus olhares, do mundo que lhe habita.
Diminuímos em nossos preconceitos. Ficamos feios sempre que nos desconectamos do próximo, sempre que tentamos arrancar o outro de nós, como se houvesse outro, como se houvesse nós.

Não há cor de olhos que mascare a avareza de um olhar. Não há tom de pele que confunda a aspereza de uma alma amargurada. Músculos bem trabalhados não compensam a fraqueza de quem jamais se perdoou.

Você não é o que vê.

A imagem não se encerra nos contornos e detalhes, não se limita ao peso ou as rugas, aos passos e as peles, mas expressa um mundo inteiro, o mundo que é você.

Seu tamanho corresponde à abertura de mente, à todos que enxerga, à tudo o que aprende, à consciência que se expande e abraça os seres vivos, à vontade de ser, de viver, de crescer.

Que os oceanos habitem sua alma, seus pensamentos se conectem com o movimento das brisas, que o sol, antes de aquecer a terra, encontre espaço em algum lugar dentro de você; que seu rosto, seu sorriso, seu olhar correspondam a sua abrangência de ser, sua disponibilidade para com quem de fato precisa.

Que finalmente você se enxergue e, surpreso, entenda que não é gordo, nem baixo, nem negro, nem branco, nem velho, nem jovem: você é o mundo que lhe habita; é a vida que move esse corpo.

O tempo está passando mais rápido?

“Você não sente que o tempo está voando? Me impressiono com a velocidade dos anos, cada vez mais curtos! Já ouvi que isso até cumpre profecias, algumas ideias místicas, o que você acha?”
 
Outro dia eu perguntei ao meu filho com 12 anos sobre o que ele acha de esperar 1 ano por alguma coisa: “E muito tempo!” – ele disse. “Você acha mesmo?”. “Claro! Até um dia é demorado, imagina 1 ano?” respondeu com veemência.
Então me lembrei que tempo é uma impressão do nosso olhar.
Para cada um o tempo parece se movimentar de um jeito. Quanto mais novos, mais simples, menos sobrecargas na mente, mais leve, mais tempo. Cada um vive seu tempo conforme é.
Repare como as crianças são atentas. Veem tudo à volta, valorizam pequenas coisas, se impressionam com os detalhes.
Os adultos dirigem seus carros sem perceberem, percorrem os caminhos e nem sabem a cor da calçada que pisam, vivem no piloto automático cheios de preocupações na mente.
Como pode, os que não veem a vida, perceberem o tempo?
Há muitas teorias sobre isso, há gente que diz que o tempo mudou, que mexeram aqui ou ali, mas acho que antes de qualquer coisa é preciso considerar o que importa. Fique bem!