Cada um como é

Não cobre que alguém seja mais do que é. Nem dê o que não tem. Nem que seja supridor de seus vazios. Aprenda a aceitar o outro como é e valorize sua liberdade. Se não for assim, não haverá amor.

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O menino que anseia pelo céu

Hoje o céu esta bonito. Nuvens altas, flocadas, iluminadas pelo sol quente sobre São Paulo. A maioria das pessoas não vê. Não vê o céu nem os “pássaros prateados” cruzando de um lado para outro, levando gente que dorme enquanto viaja. Aqui onde estou vejo o céu, vejo os pousos, decolagens e me vejo há quase 30 anos.
Eu e meu irmão saiamos de casa, pegávamos um ônibus na av Sto Amaro e vinhamos para o aeroporto de Congonhas passar o dia no antigo terraço onde hoje existe um bar. Comprávamos uns lanches embrulhados em um papel rosado, puxávamos duas cadeirinhas e só íamos embora no fim da tarde. Ainda posso ver aqueles Electras antigos, os “breguinhas” barulhentos, os passageiros correndo pela pista para conseguirem um lugar na janela. Naquele tempo os assentos não eram marcados. Era tudo mais simples. Havia pais trazendo filhos para ver aviões, famílias dando adeus a um parente embarcado, um clima que não era de “shopping”, nem de pressa, nem de normalidade, era outra coisa.
Talvez a outra coisa fosse eu. Via com olhos de encantamento e convivia com expectativa, pensando no dia em que caminharia pelo mesmo saguão de chão quadriculado, uniformizado, berimbela com quatro faixas nos ombros, pronto para mais um voo. Ansiava pelo encontro com as nuvens, pelo tempo em que o céu passaria a ser minha casa e as asas do avião extensão do meu corpo. Depois a aviação dos aeroclubes, os cursos, as horas de voo e a descoberta de que a única coisa que eu realmente gosto na aviação é voar. As teorias, os exames médicos, o mercado concorrido, as escalas de voo, coisas que me desanimaram e projetaram meus voos em outras direções.
Aprendi a voar no que faço. Nos meus textos, na rádio, nos livros, nos vídeos. É um jeito de estar no céu, mas com palavras, De sair do chão, do lugar comum, das superficialidades do dia a dia e subir além das nuvens. Ir ao céu possível e abrir as janelinhas. Sobre as camadas de nuvens não há tempestades, o céu é limpo, há liberdade.
Talvez minha relação de amor com céu seja antes de tudo uma necessidade de liberdade. Sou como pássaro selvagem que não sabe cantar em gaiolas. Canto no céu, sou livre enquanto voo.
Um avião acaba de decolar. Aqui da janela do hotel, um homem relembra seus tempos de menino. Olha para a mesma paisagem de 30 anos atrás e pensa nos contrastes que os anos trouxeram. Vou ficar aqui mais um pouco. Vou ficar quieto olhando os pousos e decolagens. Vou voltar a ser menino que anseia pelo céu.
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Mundos que vemos

Um milhão de olhos se projetam sobre a mesma imagem. O mesmo cenário interpretado por milhões de mentes serão vários cenários? E as ideias? E as verdades? Teorias sobre um único tema, valores alimentados como absolutos, apesar da infinidade de fontes, de sentimentos, de impressões. O “certo” e o “errado” confrontando, desafiando, contradizendo, variando conforme gerações. Fragmentos de pequenas realidades que não dizem sobre o mundo, nem sobre a vida, nem sobre nada que não seja revelar quem diz. Então as mentes criam o que lhes parece real e, conforme enxergam, percebem quem são.

Entre espaços e vazios

… quando vamos embora os espaços ficam vazios e o mundo inteiro muda de alguma maneira. As pessoas que deixaram de nos conhecer viverão um pouco mais tristes, como se algo que não sabem o que é faltasse, como se um vazio esquisito, permanente, provocasse nostalgia não se sabe de que. Pensando bem é possível que essa seja a causa de nossas tristezas inexplicáveis. Vivemos entre espaços vazios e lamentamos a falta do que nunca conhecemos.

Aqui de Recife

É daqui de Recife que escrevo. Daqui à pouco tem o encontro e nessa manhã quente e bonita estive pensando em qual ponto aqui da cidade meu avô estava, o que pensava quando escreveu a mensagem da foto. “Podemos vencer e venceremos”. Fique bem.

Abrir janelas

Há lindas paredes. Decoradas, texturizadas, ostentando quadros incríveis. É relaxante olhar determinadas cores ou desenhos arquitetônicos. Mas quando quero ver o mar, quando sinto saudade do horizonte, não me satisfaço com elas, nem com os quadros mais lindos, nem com nenhuma decoração. Nesse caso preciso abrir a janela e deixar que o ar, o sol, a vista tome conta do espaço. É preciso abrir mão do conforto das paredes e perder o medo das janelas abertas. É preciso encontrar-se no horizonte.

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