Sou grato por tudo

Eu me lembro, uma vez na escola, fizemos uma festa de fim de ano….
Todos nós estavámos com camiseta vermelha, short branco e dois coleguinhas representavam o fim de um
ano e começo de outro.

O novo se vestia de bebê, sem camisa, uma especie de fraldão e uma faixa saudando o ano de 1981.
O velho, se caracterizava como tal: uma barba branca postiça, uma bengala e uma faixa: 1980.
Quando eu vi aqueles dois pensei: como um ano envelhece rápido! Foram suficientes apenas 365 dias
para que 1980 deixasse de ser bebê e virasse aquele idoso com dificuldades de locomoção.
1981 também envelheceu rapidamente e os anos que vieram depois, mais ainda.

Agora estamos vivendo esse ciclo de novo.

Lá se vai mais um ano envelhecido, bengalinha nas mãos, barba branca, lento caminhar.
Outro está chegando cheio de jovialidade sem saber que a jovialidade é perecivel, a juventude não
dura quase nada, daqui a pouco se assemelhará ao senhor que agora vai embora.

Talvez aquela representação de fim de ano no colégio Horácio Bento tenha marcado meu coração de
menino. Tenha dito que sou como o tempo porque o tempo vive em mim. Não é o ano que envelhece, sou
eu. Não é o calendário que move, mas meu jeito de ver.

Sou eu, o ano velho. Em mim, o ano novo.

O ano que foi me deu, me tirou, me ensinou, me ajudou. Me alegrei, entristeci, esperei, deixei de
esperar e cresci. Sou novo de novo.

Gratidão por você que fez parte do meu ano. Os que estão e os que passaram. Vivemos experiências
juntos e todas elas são potencialmente lições de amor.

Acredito que cada situação que vivemos, seja doce ou amarga, carrega bilhões de possibilidades,
bilhões.

É o jeito como vemos, é o que fazemos com elas, nossas escolhas que determinarão o que representarão
pra gente, na gente.

Algumas caducam, outras se renovam, novo e velho, dinâmicas que se alteram e tem o poder de nos
tornar pessoas melhores. Novas, sempre que a mente se renova. Caminhemos…

Sou grato por tudo. Sou grato por todos.
Fique bem, de novo.

foto 2016

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Mudanças de paradigma? A verdade é o que simplifica

Cada vez mais se discute sobre novos paradigmas da espiritualidade, “revelações” que só agora a humanidade está pronta para ouvir e então palestrantes, escritores, líderes espirituais discorrem sobre mensagens canalizadas e/ou reveladas de alguma maneira por Deus, por espíritos, por ETs, por consciências fora do planeta que falam sobre muitas coisas. Datam-se ciclos, debate-se fórmulas, práticas, estágios evolutivos etc… Praticamente todos os dias alguém me envia algum conteúdo desse tipo e pede minha opinião. Nesse breve vídeo eis o que penso.

Psicologia das massas

Lendo Freud “Psicologia das massas” : “A massa é extraordinariamente influenciável e crédula; é desprovida de crítica; para ela, o improvável não existe. Ela pensa por imagens que se evocam associativamente umas às outras, tal como ocorre ao indivíduo nos estados do livre fantasiar, e nenhuma instância razoável afere sua correspondência com a realidade.
Os sentimentos da massa são sempre muito simples e muito exagerados.
Assim a massa não conhece nem a dúvida nem a incerteza.
Ela vai logo ao extremo; a suspeita manifestada logo se transforma em certeza irrefutável, um germe de antipatia se transforma em ódio selvagem. Inclinada ela própria a todos os extremos, a massa só é excitada por estímulos desmedidos.
Quem quiser agir sobre ela não precisa de nenhuma ponderação lógica de seus argumentos; tem de pintar as imagens mais fortes, exagerar e repetir sempre a mesma coisa.
Visto que a massa não tem dúvidas quanto ao verdadeiro e ao falso, e ao mesmo tempo tem consciência de sua grande força, ela é tão intolerante quanto crédula na autoridade.
Ela respeita a força e se deixa influenciar apenas mediocremente pela bondade, que para ela significa apenas uma forma de fraqueza.
O que ela exige de seus heróis é força, inclusive violência.
Ela quer ser dominada, oprimida e temer seus senhores.
No fundo completamente conservadora, ela tem a mais profunda aversão a todas as novidades e progressos, e um respeito ilimitado pela tradição.”
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Excessos

Excessos não resistem ao tempo. Ficam pelo caminho, são absorvidos pela terra, metabolizados viram outra coisa. Como plantas que se transformam em alimentos para peixes ou a carniça que a terra engole, há um movimento de entropia na vida que processa o que parecia “a mais”. Pode ser que machuque, geralmente dói, mas depois vem o tempo que disseca o que resta e devolve o essencial. Creio que nosso desafio seja a busca pelo essencial, a sabedoria da simplificação. É desprender-se dos excessos, soltá-los ao vento, entregá-los ao mar, ao ar, deixar que não resistam ao tempo. Diminuir o peso, ser leve de novo.

Perca o medo

No fim das contas nossas certezas são afirmações do medo. É por medo que guerreamos, que tentamos nos apoderar do outro, que construímos nossas realidades hostis. Nesse vídeo uma breve conversa sobre o medo, sobre a necessidade de perdê-lo, sobre o que realmente importa. Não falo nada que você já não saiba, mas que tantas vezes faz bem lembrar.