A morte do amor

Matamos o amor quando deixamos de ouvi-lo. Somos assim, desatentos.
Temos pressa, temos sede, temos medo. Medo de assumir o que somos, de cumprir nossos prazos, enfrentar nossos monstros.
Fugimos. Melhor seguir a manada, ordens de comando, apelos que nos desviam do caminho de casa até que a distância se imponha e deixemos de ouvir. Matamos o amor quando deixamos de ouvi-lo.
Surdos, transformamos nosso amor em distâncias. Desconfortáveis pausas. Corpos sem presença, sem coragem, sem a necessária consciência de que para o amor continuar, às vezes é preciso mudar. Aprender a abrir mão.
Para que carinho e respeito não se transformem em sufocamento e desprezo. Para que espontaneidade e alegria não cedam lugar à sobrecarga. Para que um não mate no outro a alegria de viver.
Amor é alegria de viver. É traçar o caminho da paz, ainda que haja tropeços, mesmo quando as luzes se apagam, mas ouvimos atentos ao que nos demanda, conscientes de suas necessárias podas para que ele não vire outra coisa, para que não morra porque deixamos de ouvi-lo. (Do meu novo livro “O menino que anseia pelo céu”)
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