Proponho a revolução!

Você já sentiu que as peças que estamos usando para construir o quebra cabeças de nossas vidas não se encaixam? Basta o mínimo de atenção para ver que tem muita coisa errada.

Por exemplo, há poucos dias uma entidade internacional de apoio a programas de desenvolvimento chamada OXFAM divulgou um relatório desanimador. Apesar do que os governos anunciam, a concentração de riquezas no mundo está aumentando.

Segundo a entidade, em pouco tempo a riqueza acumulada por 1% da população será superior a tudo o que os 99% restantes possuem. O relatório mostra que, apesar de produzirmos alimentos suficientes para suprir à necessidade três vezes superior a demanda de habitantes do nosso planeta, uma em cada nove pessoas no mundo ainda passa fome. É muita coisa.

Mas os números são chatos e podem ser contra argumentados como fazem com habilidade os políticos. Deixando-os de lado, preste atenção em como a maioria de nós conduz a própria vida. Olhamos com naturalidade um sistema que chama a casa própria de “sonho”. Não tenho conhecimento de nenhum animal que precisa de tanto esforço para ter um canto na vida. Somente o bicho humano é capaz de criar um “mercado imobiliário” tão voraz, como especialmente o das grandes capitais.

Nos acostumamos com a desigualdade e a justificamos. Para muitos de nós, os milhões de homens e mulheres apertados em um ônibus abafado e lotado é parte da paisagem natural, assim como as famílias que moram na rua, como os cenários de miséria contrastando com ambientes de luxo. A falta de educação que inibe o pensamento crítico, que nos transforma em bonecos do consumo, tornou-se aceitável, aderimos ao “cada um por si” sem percebermos que esse olhar fragmentado é justamente o que viabiliza tamanha desigualdade.

Não estou falando sobre socialismo, que não deu certo onde foi implementado. O capitalismo também não. Apesar da prosperidade ostentada por poucos, não posso me conformar com um sistema em que 1% da população concentra mais riquezas do que todo o resto. Isso não pode ser encarado como algo que deu certo.

Enquanto nos distraímos tentando nos aproximar dos exemplos propagandísticos de sucesso, fechamos os olhos para a grande maioria que jamais terá o mínimo.

Há os que não se incomodam com o ritmo alucinante de trabalho que rouba um pai da família, a mãe dos filhos, que congestiona as cidades, que separa as pessoas, que provoca doenças emocionais. Esses encaram o fato de que a educação, a fé e a política se transformaram em “mercados” disputando nichos com avidez, em muitos casos sem nenhuma ética, como um fenômeno absolutamente aceitável. Tudo ganhou preço, tudo virou mercado e perdeu o valor.

Talvez nossa maior dificuldade em virar o jogo seja a crença de que nada podemos fazer. Esse mesmo sistema nos convence de que somos impotentes, de que o preço irremediável do progresso é a desigualdade e tudo o que nos cabe é lutar, lutar muito, para quem sabe um dia encontrarmos lugar nos vagões da frente caso não queiramos a mesma morte dos que ficaram para trás.

Fomos convencidos de que não há escolhas, ou aderimos, ou morreremos com nossas “ideologias utópicas”.

Não estou aqui para propor novos sistemas. Não acredito que simplesmente mudar um “ismo” por outro seja suficiente. Pessoalmente só vejo um caminho: O movimento individual que promove revoluções em seus micro sistemas.

Em cada mente que desperta há a implosão de um sistema. Quem vê sai da bolha e passa a se relacionar com ela a partir de outra perspectiva. Não estou dizendo que esse individuo necessariamente impactará o todo, mas o que é o todo se não a somatória dos indivíduos?  Se cada um de nós se propuser a repensar o estilo de vida, incluindo nossas prioridades, nossos sonhos, nossos valores, seremos agentes subversivos onde quer que estejamos. E tanto faz se a maioria não se importa. Eu me importo e viverei conforme minha consciência.

Acredito que o maior mal dos nossos sistemas – a grande maioria deles – é a inibição do pensamento. Melhor sentir do que pensar, melhor ter pressa do que parar e enxergar, melhor entrar no fluxo frenético da maioria imbecilizada do que questionar sobre o que estamos fazendo com nossa própria vida. O resultado disso é a gigantesca desigualdade e nossa incrível passividade zumbificada diante dela.

Proponho a revolução! Não as que usam armas, nem as panfletarias com seus discursos cheios de amargura, proponho que nossa insatisfação seja alavanca de um reposicionamento de vida. Proponho que deixemos de esperar tanto dos outros, dos governos, dos empregadores, do Batman, do Obama ou de Deus e façamos o possível em nossos mundinhos. O possível já é uma grande coisa!

A revolução que proponho se concretiza sempre que um indivíduo inverte a lógica do sistema em si, e reflete naturalmente o novo olhar para o todo. Se nossa escolha é viver dentro do sistema não precisamos permitir que o sistema viva em nós.

Até onde isso pode nos levar não faço a mínima ideia, mas sempre que vejo o mundo como está, o que me consola é a esperança de que pequenos movimentos subversivos são possíveis; mentes que não percebiam agora percebem, gente resignada agora pensa, mundos encurralados por tanta pressão encontram um caminho que antes de tudo reflete outro olhar. Um olhar muito mais abrangente, um olhar de quem não se conforma em ficar parado apenas porque a maioria diz que não é possível mudar.

Não é o mundo que precisa mudar, é o nosso olhar. Quando isso acontece, o mundo, sem escolha, simplesmente acompanha. Se isso deve começar por alguém, por que não pode ser com a gente?

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16 comentários em “Proponho a revolução!

  1. Que Sensacional este Ponto de Vista, Meu Amigo, Flávio Siqueira, é exatamente esta a Revolução que Temos que Gerar Dentro de Nós Mesmos. Independentemente de Pesquisas, Noticiários, dentre outros Meios de Informação, o Mundo só Será Aquilo que o Nosso Olhar assim Propuser, e por isso, Temos que Sair dessa Geração Zumbi, que nos Obriga à Seguirmos a Massa Amedrontada e Frenética que nos Distancia do Nosso Poder de Sermos Nós Mesmos. Meus Parabéns à Você, Flávio Siqueira, Pelo Comentário e Fiquemos Muito Bem em Nossa Caminhada para uma Vida Mais Pacífica e Livre !

  2. É muio bom saber que não estamos lutando sozinhos, pois aprendemos a ganhar sempre com ajuda de outros. Ultimamente tenho me sentido numa bolha junto com meu pai de 90 anos para discutirmos os nossos anseios e ideais sore a nossa existencia. Meu olhar difere muito dos meus amigos e familiares, portanto hoje, com a leitura deste texto, me sinto encorajada a viver cada vez mais sob o meu olhar.Obrigada por me deixar mais feliz.

  3. O garoto da periferia de uma grande capital brasileira que nasce sem oportunidades, sem talento pro futebol,etc, um dia acorda e decide fazer sua revolução pessoal. Encontro revolucionários assim todos os dias no meu trabalho.

  4. olá amigo Flavio ja faz algum tempo que te acompanho, copio algumas reflexões e posto na minha pagina.Mas gostaria de saber se não é possivel compartilhar de alguma forma no facebook. O que mais vejo lá são frases inacabadas sobre politica, amens, e outras tagarelices. Um vazio imenso e que por vezes tento achar algum fundamento e nada.Mudar é necessário, e nada como esta rede para conscientizar as pessoas pois logo logo, veremos nossas ações , pequenas é verdade, sendo proibidas….. obrigada amigo.

    Em 23 de janeiro de 2016 08:15, Blog do Flavio Siqueira escreveu:

    > flaviosiqueira posted: “Você já sentiu que as peças que estamos usando > para construir o quebra cabeças de nossas vidas não se encaixam? Basta o > mínimo de atenção para ver que tem muita coisa errada. Por exemplo, há > poucos dias uma entidade internacional de apoio a programas d” >

  5. Oi Flavio, agradeço por mais um texto fantástico! Conheci o seu trabalho no primeiro semestre do ano passado, me identifiquei logo de cara com as suas observações mas inicialmente tive dificuldade de colocar em prática suas sugestões principalmente o de aquietar a mente, pois sempre fui muito animado, cheio de energia mas também ansioso e preocupado. Agora em dezembro do ano passado comecei a finalmente conseguir observar melhor e a diminuir o fluxo dos meus pensamentos, e então comecei a ter vários insights! Estou com 31 anos e sinto que foi o meu despertar para uma nova realidade e você tem uma participação essencial neste processo, sou muito grato por ter me ajudado a começar a conhecer a Consciência que sou! Me emociono ao escrever isso, sinto que realmente começo a viver a partir de agora. Sei que o seu trabalho está ajudando muita gente a ter a possibilidade de ter uma nova vida. Um abraço com muito carinho, muita admiração, fique bem meu amigo!

  6. Meu amigo, gratidão! todas as experiencias que teve até hoje contribuiram para que seja quem é. As que esta tendo agora, irão compor o Rafael do “futuro”. cuide de sua mente e caminhe em liberdade! abração!

  7. Pois é, Flávio Siqueira, este Texto Despertou Todo Mundo que Escreveu neste Blog, Muita Reflexão , Pacificação e a Certeza de Sermos Nós Mesmos, Gerando as Nossas Revoluções Sem Conflitos com Ninguém. É nas Coisas Simples que Enxergamos Tanta Vida, Tantas Desconstruções que no Começo nos Provocam Dores, mas, que Rompem as Correntes do Condicionamento das Massas Fragmentadas e das Religiões que Vendem Milagres, da Mídia, enfim. Abração pra Você, Flávio Siqueira e à Todos os Vagalumes Presentes neste Blog 🙂

  8. O capitalismo se torno o grande elefante rosa dentro da sala, ele está ai com seus efeitos devastadores, mais ninguém pensa sobre ele de verdade, ele está envolto em mentiras e nos engana com o papo da aceleração do crescimento econômico, nos fazendo participar dessa grande loucura que eles criaram, e que só favorece 1% da população, enquanto o resto se mata trabalhando e pagando impostos e juros para banqueiros que enriquecem cada vez mais.
    Como você disse Flavio existe um grande problema que é a falta do pensamento ou ate mesmo do entendimento do que significa o capitalismo é a globalização que se torno a ditadura das grandes corporações e dirige a sociedade globalizando os produtos a uma escala sem precedentes. Vivemos uma ditadura de capital, o humanismo foi substituído pelo consumo que escraviza as pessoas cada vez mais para que outras possam enriquecer, devemos como cidadãos nos esforçar para tentar entender o sistema em que vivemos é encontrar formas de mudar as coisas a partir de nos como você disse, acreditou que tudo começa por entender-mos realmente o que se passa, existe uma sutil diferença entre esse 1% e nos, Nos somos a maioria e se estivermos juntos e bem informados podemos fazer a diferença, cada um a sua parte na sua vida, mais tbm como diz no titulo precisamos de revolução! O capitalismo é um sistema que nos separa e nos rotula como produtos nos dando a sensação que somos diferentes dos nossos irmãos quando na verdade so haverá mudança quando nos unirmos entre países e povos e reivindicar-mos pacificamente é com entendimento a liberdade que nos foi roubada, se o socialismo no funcionou apesar da sua utopia ainda existem novas formas de organização e justiça que poderiam ser adotadas partir de agora, mais para os donos do mundo isso não é nei um pouco interessante,e se depender deles todas as novas formas de governos e economia iram falhar, Precisamos reivindicar primero nossa velha democracia que talvez nei exista ou talvez não estejamos assumindo nosso papel como participantes dessa engrenagem de destruição, não só da economia mais também do meio ambiente que nos abriga para enriquecer esses poucos que são os verdadeiros poluidores e ratos do sistema.
    O relatoria da OXFAM é realmente desanimador, mais nos mostra que esse 99% que somos todos não devemos nos conformar e sim nos juntar e unir para lutar por um mundo mais justo.
    O capitalismo talvez seja o maior exemplo do nosso momento onde o consumo nos preenche é os prazeres rápidos nos anestesiam enquanto as luzes das grandes cidades nos ofuscam num brilho falso e ilusório onde não conseguimos ver o essencial.
    Que todos possamos despertar, para que o sistema mude e nos também!

    Um abraço amigo!

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