Falta de perspectiva?

Falta de perspectiva tem a ver com falta de movimento. Pode ser que você tenha se fixado em um ponto específico, uma ideia, uma pessoa, uma ideologia, um jeito só de ver. Por medo ou por conforto fixou-se e a perspectiva reduziu. Movimente-se, minimamente que seja, e a perspectiva não será uma só. Alterará.

Quem tem a verdade?

O tempo é um fragmento do infinito. A eternidade contida em uma capsula dimensional, uma caixa onde existimos.
Nós somos seres do tempo.
Vivemos uma cronologia de experiências e pensamos de forma linear: passado, presente, futuro.
Creio que é por isso que não temos acesso ao que poderíamos chamar de “verdade”, pelo menos não em absoluto.
Nenhum absoluto cabe na gente a não ser que se fragmente (como nós e nossas linguagens).
Logo, toda tentativa de absolutização humana é uma violência contra nossa própria natureza.
O que chamamos de “verdades” são fragmentos, vistos a partir da perspectiva que somos; um ponto em movimento que vê parte do que jamais poderá ser visto na totalidade enquanto existirmos no tempo, fragmento do infinito. Wonderful-Hd-Space-Scene-HD-Wallpaper

É o que é

Viktor Frankl, o psicanalista judeu, disse que o que mantinha ele e
seus companheiros vivos no campo de concentração era a lembrança das esposas.
Saint Expuéry, vivendo uma experiência de estar perdido, sem água, depois que seu avião caiu no deserto, relata algo semelhante quando nota que a tentativa de evitar a dor dos que ficariam impediu que ele simplesmente deitasse confortavelmente em algum canto e “dormisse”, sem sofrimento, em paz.
Por mais que tenhamos o universo dentro de nós, tudo o que buscamos é o aconchego de um abraço, a acolhida de um amor sincero.
Podemos até nos esquecer, afinal, quantas vezes a caminhada se torna ingrime, mas o fato é que nossos desejos complexos, nossas buscas profundas, nossas insistentes utopias, ainda que deem voltas e voltas, como uma bússola que aponta para o norte magnético da terra, apontam para a necessidade humana mais simples, mais ingênua, presente em cada coração que busca o outro e nele se enxerga.
É por isso que perto da morte gente como Viktor Frankl, Saint Exupéry e tantos outros descobrem que, quando tudo se perde, as máscaras, as desculpas, as miragens que acreditávamos serem reais simplesmente desaparecem e o que fica é o que é: os vínculos, os amores, os abraços, o chão sobre o qual sempre pisávamos, mas, distraídos, projetávamos nossas busca em vacuidades.

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Pequena crônica policial – Por Mario Quintana

Jazia no chão, sem vida,
E estava toda pintada!
Nem a morte lhe emprestara
A sua grave beleza…
Com fria curiosidade,
Vinha gente a espiar-lhe a cara,
As fundas marcas da idade,
Das canseiras, da bebida…
Triste da mulher perdida
Que um marinheiro esfaqueara!
Vieram uns homens de branco,
Foi levada ao necrotério.
E quando abriam, na mesa,
O seu corpo sem mistério,
Que linda e alegre menina
Entrou correndo no céu?!
Lá continuou como era
Antes que o mundo lhe desse
A sua maldita sina:
Sem nada saber da vida,
De vícios ou de perigos,
Sem nada saber de nada…
Com a sua trança comprida,
Os seus sonhos de menina,
Os seus sapatos antigos!
 
Mario Quintana
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A história da Maria – Por Simone Sgorla

A história da Simone Sgorla e da Maria que eu li hoje cedo na rádio:

Conheci uma pessoa incrível mês passado, a Maria, 47 anos, uma menina.
Maria não tem prateleiras cheias de livros, ela sequer sabe ler…
Maria nem sabe usar o celular.
Ela teve 4 filhos, sendo que 2 “Deus levou” em um lapso de tempo de menos de 5 anos… um com 14 e outro com 16 anos, o coração deles simplesmente parou… doença genética.
Maria casou forçada aos 17 anos, a mãe arranjou o casamento, ela não queria mas aceitou.
Apanhou muito quando era criança, sua mãe morreu quando ela tinha 1 ano e meio, e foi criada pelo pai e madrasta, em um ambiente de muita pobreza, porém nunca passou fome.
Conheci a Maria em um passeio destes de cachoeira que eu vou, ela foi no lugar do filho Daniel que não pode ir. Foi o primeiro passeio da vida dela…
Ao chegar no estacionamento às 6 da manhã ela estava chegando no mesmo horário que eu, junto com o casal que a levou, eles nem me olharam. Mas Maria ficou me olhando com um sorriso gigante, como se me conhecesse há muito tempo…
No passeio, Maria chegava nas cachoeiras e já ia tirando o tênis , entrando na água e rindo feliz, enquanto a gente ficava tirando fotos para postar no facebook…
Maria nunca ouviu falar nos mestres da moda, nem o Flavio Siqueira… nem fez todos cursos, terapias, treinamentos pessoais para ser esse ser iluminado que ela é. Ela vive na roça com o marido que aprendeu a amar e que a ama e respeita profundamente, e com uma filha que de 20 anos que ajuda no trabalho puxado, muito puxado, com gratidão. Eles agradecem à Deus, do jeito que eles entendem Deus, da religião que seguem. E não tive como contestar sua existência lá, apesar de tudo que sei fora das caixas da religião…

Fui na casa da Maria neste final de semana e constatei que lá habita o amor, não tem como não sentir, um amor profundo entre eles da família e pela vida que têm. E Eles não têm nada deles, são empregados, chacreiros, mas ao mesmo tempo têm tudo. Vivem em uma abundância total que nunca vi na minha vida em famílias abastadas. Tudo que a roça dá ela transforma: goiabas em goiabada, banana em doce, bambu em comida (broto). Nunca compra roupa pq ganha muitas, e não se importa em usar roupa usada. O excedente ela doa ou vende e compra panelas para fazer seus doces.
O filho que está vivo tinha o mesmo problema do coração dos outros que morreram, e ela precisava de 50 mil reais para colocar um disfribilador para que ele não morresse tb. E Maria não tinha esse dinheiro. O patrão dela pagou tudo!!! e paga até hoje todo tratamento.
Maria vive em ABUNDÂNCIA, verdadeiramente, integrada na vida, tudo que ela precisa chega até ela e sua família. E apesar de uma vida de tanto sofrimento está sempre sorrindo e agradecida.

Sabe Flávio, desde que conheci a Maria algo ruiu dentro de mim… acabou de ruir junto com as desconstruções que começaram ano passado quando comecei a te ouvir.
De tudo que já li e ouvi, de gente de tanto conhecimento, nada está sendo mais ELOQUENTE (como vc diz) como o exemplo de vida dessa mulher.
E percebi o quanto precisei buscar para nem chegar perto da sabedoria simples e nata da Maria…
E perto dela me calo, e aprendo.

Maria me tocou na viagem das cachoeiras quando falou: “a gente precisa deixar a felicidade acontecer.”

* Na foto, a Maria

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Só sei que nada sei

“Assisti o vídeo seu em que falava sobre as pessoas com algum tipo de deficiência mental e como nem elas, nem nós, jamais teremos conhecimento das coisas como elas realmente são. Tudo o que sabemos sobre qualquer assunto, não é nada se comparado com o que realmente é.
Mas então qual o objetivo da busca por consciência e entendimento se ela jamais poderá ser alcançada? Ultimamente me sinto cansado, como se tivesse correndo atrás do vento, indo atras de algo que nunca poderei encontrar. ” Respondi no vídeo abaixo. Que te faça bem!

Pensamentos com asas

Gosto de pensamentos que dão asas, que me projetam para o mundo, que não me domesticam, mas que sejam selvagens. Há pensamentos que nos projetam e há pensamentos que nos encurralam, colocam peso sobre os ombros e nos trancam nos porões de nossos medos e preconceitos. Há pensamentos e pensamentos…