A quem agradecer?

Hoje no programa de rádio me perguntaram, “afinal, a quem devo agradecer pela vida e pelas coisas que me acontecem? A Deus ou a mim mesma?” – Eu disse, se em você há esse olhar de gratidão, se é o que te preenche, não se inquiete. Não importa. Gratidão não é algo que você devota à alguém, gratidão é uma dimensão e, manter-se nela, já é suficiente.

Para lembrar quem somos

Hoje na rádio comentei sobre um hábito que tenho com meu filho que começou quando ele tinha cinco anos de idade. Desde então, em todos os aniversários, nós gravamos uma “entrevista”, um bate papo com os assuntos que naquele momento são importantes para ele. A ideia é que um dia, talvez quando tiver minha idade, ele tenha uma referência de quem é e possa lembrar que, mesmo lá adiante em dias difíceis, ele é todos que foi, incluindo o menininho com cinco, seis, sete anos…
Talvez essa seja a tarefa mais difícil nesse mundo complexo cheio de importâncias relativas, de correrias, de distrações que tendem a esvaziar os estofos de consciência, substituindo por massificação de pensamento.
Uma vez ouvi a história de uma tribo africana que compõe uma música específica para cada bebê. Quando o bebê cresce, se porventura comete algo contra a natureza daquela comunidade ou de si próprio, eles se reúnem com aquela pessoa e cantam a música de infância, para quem sabe resgatar a criança que ainda mora em algum lugar escondido no meio da cabeça de adulto confuso.
A entrevista com meu filho, a música da tribo africana e tantas pequenas situações que podem ajudar a nos lembrar que não somos apenas aquele que aparece no espelho. Somos a somatória de tantos olhares, tantas ideias, tantas perspectivas que continuam em movimento e habitam esse corpo que nunca é o mesmo e no entanto chamo de meu. Somos a consciência que se transforma, que voa, que é selvagem e mesmo assim jamais se esquece de onde veio.

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