A salvação pelo consumo

A sociedade contemporânea é organizada para formar consumidores. Essa é nossa maior produção em massa: Consumidores. Está em nossa industria cultural, na religião, nas relações, na educação, na moda, no estilo de vida, nos pensamentos que reproduzimos sem nenhuma reflexão crítica.

Não percebemos o quanto assimilamos certos dogmas e os apelidamos de “certo” enquanto rotulamos como “errado” qualquer movimento que contrarie o fluxo da produção de consumidores.

Sair dessa linha de produção pode gerar punições. Somos expulsos de nossas comunidades encubadoras, somos chamados de hereges por agredirmos os deuses que estão por trás da maior parte dos símbolos que cultuamos.

Por trás das confissões, essa tem sido nossa fé: A salvação pelo consumo.

É por isso que nos esforçamos tanto para consumirmos mais! Cegos, não vemos que essa tem sido a tônica de nossas relações, a modelagem de nossas crenças, o paradigma de como educamos nossos filhos. Uma educação para consumidores.

É o que nos legitima como cidadãos “bem sucedidos”, nos ilude, pensando que finalmente somos “alguém”.

Aprendemos que ter vale mais do que ser. Valorizamos quem tem. Aplaudimos os reis, bajulamos os políticos, contratamos palestrantes/sacerdotes do “sucesso”, consumimos literatura que fala sobre “poder”, “conquistar”, “realizar” e seguimos a “escalada rumo ao topo” deixando para trás os inaptos, os “vagabundos”, os artistas, os poetas. Nossa arte só será arte se vender muito, se for cara, se a massa quiser. Vale a quantidade. O ter, não o ser.

Distraídos, nos tornamos plásticos, facilmente modelados, ocos, ideais para assimilarmos sem questionamentos a próxima mensagem publicitária, oráculos revelando o produto que mudará para sempre nossas vidas, até a próxima novidade. Engrenagens de uma máquina voraz que se alimenta da nossa energia, nossa criatividade, nossas motivações, nossa fé.

Humanos reduzidos a consumidores. Gente em forma de produto, política embalada por jingles, fé na prata , “a industria pede, nós formamos”, como alardeia uma faculdade aqui no Sul.

O consumismo não se limita a um ato, mas é uma mente, uma grande mente coletiva que norteia nossos valores e nos cega diante da corrosão de um pensamento único, cada vez mais presente em nossas escolhas, nós, que nascemos para consumir.

 

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