Utopias e horizontes

Hoje ouvi a entrevista do Gabeira no Roda Viva e um comentário dele me chamou atenção. Ao ser perguntado sobre quais sonhos alimenta atualmente, o ex militante político, deputado, candidato ao governo do Rio (contra Sérgio Cabral) respondeu: “Nenhum”. Depois emendou mais ou menos assim: “…aprendi que o comunismo e o humanismo são semelhantes a religião. Não quero mais isso. Hoje aceito que as pessoas são imperfeitas e que isso é irremediável. Deixei de acreditar em utopias.” As utopias trabalham com o discurso do ideal, mas o que é o ideal? Talvez as utopias sejam semelhantes ao horizonte. Ele está adiante, mas, se minha expectativa estiver projetada em alcançá-lo, haverá frustração. Utopias podem nos colocar em movimento e isso é bom. É provável que a felicidade esteja justamente no caminho, nos cenários do cotidiano, nos pequenos passos que, distraídos com nossas grandes utopias, nem damos conta. A exemplo de tantos ex sonhadores que existem por ai, insistir nas utopias que pregam o ideal como linha de chegada acaba gerando cinismo ou frustração.

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