Assumir-se selvagem

A sociedade é estruturada para que nada além do chamado “senso comum” sobreviva. É o pensamento médio que mantém as instituições, os sistemas, os mercados, a vida rodando como é. A mediocridade é compulsória.
Gente inquieta, com pensamentos selvagens, incomoda, tem dificuldades para encontrar seu lugar, sua tribo, sua linguagem, especialmente por não caberem nas estruturas pré fabricadas. São ameaças.
Então cria-se jaulas e espera-se que fiquem lá.
A família, os amigos, os “cidadãos de bem”, dissuadem: “É revolta! É pecado! É errado! “.
Acuado o sujeito se cala e tenta limitar na minuscula estrutura o espírito livre que lhe habita. Sofre, pois precisa de ar, de céu, de mar, de amplitude.
Acuado, ataca.
Para esses o grande desafio é encontrar espaços de liberdade que saciem em parte, que seja possível conviver com o mediano sem que o cansaço prevaleça.
Ironicamente não haveria avanços de nenhuma natureza se não fossem os que um dia resolveram romper as jaulas e ganhar o céu.
Os artistas, os cientistas, os pensadores que aprenderam a transformar suas inquietudes em lindas e provocadoras expressões de humanidade.
Ser humano é muito complexo e a vida grandiosa demais para caber em caixinhas minusculas. É preciso coragem e ousadia. É preciso inquietar-se e assumir-se selvagem.

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