É lindo, mas utópico!

“É lindo, mas na prática utópico”. De vez em quando fazem esse comentário em algum texto meu. E olha que sou um cara com pouquíssimas utopias. Minha mente vive no céu, mas meus pés costumam estar no chão.
Proponho mais equilíbrio, sugiro pensar antes de agir, reconhecer a própria humanidade ao invés de sair por ai julgando as pessoas. Talvez isso gere desconforto.
Não creio em fórmulas mágicas, não proponho rituais, nem acredito que o universo se modela ao que pensamos.
Não creio na nova era e seus mitos, nem em religião alguma, nem nada que prometa um mundo melhor sem antes passar pela dor de desconstruções interiores. Um mundo novo é feito por indivíduos novos e essa tarefa é de cada um.
Então fico pensando, onde está a utopia? Melhor desqualificar ao invés de se questionar. Mais fácil seguir as massas esperando que um dia alguém faça alguma coisa. “Isso não é comigo! Não sou responsável, o mundo sempre foi assim, não é minha culpa!” – preferimos pensar. “É utópico!”
Reconheço que sou um entre outros beija flores tentando apagar incêndios, mudar o mundo está longe de ser uma de minhas utopias, mas não posso deixar de reparar nesse recurso dissociativo tão presente na maioria de nós. Ao invés de nos enxergarmos, desqualificamos quem/o que diz e seguimos, afinal, isso não tem nada a ver com a gente.

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É preciso lucidez

Expressar-nos fora dos polos. Encontrar caminhos de conciliação. Linguagens que promovam entendimento, clareza, aberturas. Sim, precisamos de aberturas para que a luz escancare as mazelas. Estreitamentos sufocam, radicalismos cegam. Superemos paixões que sustentam ideologias malucas, irracionalidades em busca de salvadores da pátria.
Não precisamos de salvadores, nem de ungidos, nem de seres perfeitos, precisamos da verdade que nos mostra humanos e, reconhecendo-nos como tal, prosseguirmos um pouco melhores. Nenhuma guerra é santa. Não há santos. Nunca houve.
Rejeitemos os perfeitos! Que não haja espaço para infalíveis entre nós. Seres inquestionáveis semeiam o radicalismo, o autoritarismo, a cegueira.
Nosso país não depende dessa ou daquela figura, desse ou daquele partido, dessa ou daquela ideologia. Não precisamos ser claques de manipuladores ávidos pelo poder.
Precisamos de lucidez.
Lucidez. Equilíbrio. Caminhos que não estejam nos polos onde a luz do sol não costuma chegar.