Humanidade

A humanidade é um indivíduo em movimento no universo. Ele é composto por aproximadamente 108 bilhões de células, humanos que estão ou estiveram aqui, entre os quais eu e você. Tudo indica que esse individuo ainda vive a infância, faz muitas bobagens, e seu amadurecimento depende do amadurecimento de cada uma de suas células. Cada mínima expressão de consciência, de cada célula, representa um passo nesse processo. Quando terminar, iniciará outro, e depois outro, e depois outros movimentos que nem temos ideia do que será, mas terá partido de cada um de nós, células desse grande corpo que chamamos humanidade.

O terror do medo

O terrorismo se alimenta do medo.
As bombas, as mortes, as ameaças, integram um gigantesco palco e a platéia somos nós.
Poucos reivindicam os créditos, geralmente o Estado Islâmico, os loucos carrancudos de barba que não costumam fazer reivindicações claras. Não é necessário.
O medo é um mercado capaz de eleger políticos, mexer nas bolsas, nos juros, nos bancos. Nesse caso, o anonimato faz bem aos negócios.
É por medo que negociamos nossa privacidade e aceitamos agradecidos que o governo nos vigie.
O medo nos acua, nos torna submissos, nos posiciona em busca de abrigo. Consumimos mais notícias, pagamos mais seguros, buscamos mais religiões, nos protegemos, investimos, compramos o que não é necessário.
Ontem o mundo sentiu medo de novo. Não se trata do caos na segurança pública brasileira e suas mortes cotidianas, nem as barbaridades cometidas contra humanos nas guerras do dia a dia. Estamos chocados com o terror em Barcelona, estamos com medo, muito medo.
E o terrorismo se alimenta do medo.

Perspectivas de quem vê pela fresta

Somos seres do tempo. Todas as nossas experiências são relativizadas por ele. Até a morte. O que é a morte senão um desfecho? Mas a ideia de desfecho só faz sentido sob a perspectiva do tempo, fora dele, não há desfecho, nem início. Talvez morte e vida sejam apenas perspectivas de quem vê pela fresta, a limitada e relativa fresta do tempo.

O lugar onde moramos

Não se importe com o que pensa pensar. Importam as entrelinhas, o que não capta conscientemente e é selvagem demais para caber em vocabulário. É no estado bruto, sem disfarces, o lugar onde realmente moramos. Tentamos a proteção da linguagem, mas, talvez, a linguagem seja apenas um recurso do nosso pudor, um disfarce para nossa nudez.