Um desabafo – Troca de de e-mails.

Recebi essa mensagem que posto a seguir, vindo logo depois minha resposta.

Por questão de privacidade, poupei o nome do remetente.

Um desabafo Venho a escrever este desabafo em um momento em que as palavras me consumem por dentro, depois de ver tanta violência, seja esta de qualquer natureza, me sinto mobilizado e emocionalmente instigado a dizer alguma coisa. De certa forma todas estas palavras estavam já há muito tempo presas em minha garganta, e através de um novo mundo do qual estou me deparando, acho as frases certas que podem descrever de maneira completa o meu sentimento. Sinceramente não consigo entender como as pessoas conseguem conviver consigo mesmas hoje em dia, sem ao menos olhar para o lado. Tenho estudado e me informado, debatido e crescido, e me deparei com um muro de concreto, duro e nada maleável, que é extremamente difícil de ultrapassar, impossível de ignorar. Pode ser que seja apenas eu, mas me importo em algum nível com as outras pessoas, com o rumo com o que a sociedade está tomando. Não digo todos, mas grande parte da nossa queridíssima sociedade não enxerga, ou pior, não quer enxergar o caminho de violência moral e física que sofremos dia-a-dia. As pessoas se importam em comprar roupas, acessórios, acumular dinheiro e assim chegar algum dia ao almejado status de ser “bem sucedido”, à burguesia. Enquanto isto, outros estão passando fome, roubando e matando por não terem a mesma oportunidade que alguns poucos pensam ser “natural”, pois ganharam, não são dignos de meritocracia alguma, sempre viveram essa realidade. O problema está no grupo que rege as vontades a serem manifestadas, as felicidades a serem compradas, a religião a ser seguida, o caminho a ser trilhado, a burguesia. Este resultado é fruto de um processo histórico que vem acontecendo há muito tempo, desde o surgimento, ou ainda mesmo antes, do capitalismo – “A história da humanidade é a história da luta de classes” – Marx. Acredito que as pessoas de hoje não são as responsáveis por tudo isso, mas são pelo fato desta realidade ainda não mudar, adquiro um posicionamento crítico com os que não fazem nada, e nem querem fazer, fadados e acomodados à alienação. O capitalismo trilhou a isso, valorizou a individualidade a tal ponto que se criou uma “desumanização”. Hipócritas são os que contribuem com isso se autodenominando “homens direitos”. Todas as cidades do Brasil, que sá do mundo, sofrem com o produto da diferença de classes, estou cansado de ver violência contra pessoas, agressões físicas, roubos, estupros, e tudo mais que a sociedade “se acostumou” a ver. Pois eu não consigo aceitar que tais brutalidades sejam incorporadas na nossa sociedade e vistas como algo do cotidiano, tudo isto não é cotidiano, tudo isto são erros gritando na cara de cada um e mostrando a todos de maneira explicita que tem alguma coisa errada, aliás, não alguma coisa apenas, mas sim todo um mundo de erros. E ainda conheço pessoas que aceitam e apóiam isso, não enxergam que o tão grandioso capitalismo destrói a cada dia mais os seus próprios criadores. Estou cansado, é isso que vem a minha cabeça a todos os momentos, eu estou cansado de tudo isso, da correria, da pressa, da competição acima de tudo, do sofrimento geral, e enquanto o homem não funcionar pelo amor, pela igualdade, as coisas continuarão assim. As pessoas precisam conscientizar-se da situação que estão vivendo, sair do “automático”, dessa infeliz e brutal alienação; e realmente olhar, escutar, dar atenção ao caminho que está sendo trilhado, será verdadeiramente esta realidade que você quer? O que você faria se pudesse ser e fazer o que quisesse, independentemente de dinheiro, de preconceitos, de quaisquer outros impedimentos que venham a sua cabeça? Será que você realmente teria a vida que tem? Será que teria o emprego que tem? Será que seria amigo das pessoas que é? Questione-se, questione o mundo, as pessoas, e tudo ao seu redor, quem sabe você não acha uma realidade que realmente lhe faça sentido, uma que realmente lhe faça feliz, apesar de todos os apesares. As pessoas que você e a sociedade inteira criticam são as pessoas que fizeram isso, e hoje lutam por algo que acreditam, será que essas pessoas realmente são “inimigas” e dignas das acusações que lhes fazem? “Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros.” Che Guevara

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Resposta: Meu amigo, quem se recusa a enxergar a vida sob as lentes dos sistemas, sente esse incomodo que você desabafa. É por isso que aqueles que “mandam” precisam dos “ismos”, e não é apenas o capitalismo. Sistemas são feitos para “organizar” pensamentos e aquietar as mentes. Cria-se a “media”, mediocre, submissa, pacata. Em troca do status de “normal” ou para simplesmente poder jogar o jogo, a maioria aceita os valores como eles se impõe, ainda que nem sempre tenha sido assim para todos. Digo isso porque grande parte desses caras que hoje comandam o sistema, já foram inquietos assim como você.(exemplos não faltam) Um dia questionaram, criticaram, escreveram artigos, criaram partidos políticos, participaram de revoluções, tentaram mudar as coisas sem saber que no fim quem mudaria eram apenas eles. Veja as universidades: protestos, propostas e manifestações de descontentamento que depois diminuem, diminuem e diluem na mesma proporção que os cabelos caem ou ficam brancos. E por que? Porque o problema não é o sistema, nem os “ismos”, nem as ideologias, mas as pessoas. Humanos são assim. Se inquietam e se adequam, esmurram e abraçam, cospem e engolem, reclamam e aceitam revelando suas eternas contradições, inerentes em nossa propria humanidade. Quando o revolucionário  encara sua impotência, quando o murro perde a força e a empolgação diminui, a troca pelo ceticismo é praticamente invevitável e dura até que, tomara, a sabedoria chegue. Ela vem com os anos e a partir de experiências que ensinam uma coisa simples, mas essa sim, revolucionária: O mundo é mau e sempre será, portanto, minha maior força está no reconhecimento da minha propria fraqueza. É essa consciência que me faz resistir. Os sistemas não mudam, pelo contrário: se entranham, envolvem e desenvolvem, sendo que seu maior mal é instalar-se na mente e no coração das pessoas, de modo que o problema não é viver no sistema, mas deixar que ele viva em nós, tornando-nos parte dele, confundindo-o com nossa própria natureza ambigua e facilmente seduzivel. A expectativa de que um dia as coisas mudem, sem considerar de que a mudança real só é possível em mim – apesar dos “ismos” – só cria frustração. Toda mudança acontece quando quem muda sou eu e o “ideal” para a sociedade passa a ser praticado como ideal individual, no chão do meu caminho, no meu horizonte, entre aqueles que encontro no dia a dia e me experimentam, dando a mim a oportunidade de SER amor, SER inclusivo, SER justo, SER pacificador, SER honesto, SER paz, SER misericordioso, SER grato, SER do bem. Não são os sistemas que SERÃO, sou EU. Minha tarefa é sobretudo enxergar e praticar o que nunca verei implementado de fato em sistema algum, mas será a única verdade do mundo que sou, se antes de querer mudar o mundo de fora, eu mude o mundo de dentro a partir do meu olhar e por consequência das minhas atitudes. Injustiças sempre existirão, dores, inconformismo, corrupção, mentira, aproveitadores…faz parte de nossa realidade imperfeita, mas felizes os que entendem que a única chance de melhorarmos um pouquinho tudo isso, salgando a vida tão sem sabor, é melhorando-nos e, apesar dos pesares, criando o melhor dos mundos em nossos corações que vazará e se multiplicará à todos os que nos rodeiam, mudando os mundinhos, brilhando onde tudo parece escuro. Essa é a verdadeira revolução e ela só é real se começar em mim. Abração pra vc !! Flavio.

Qual a minha religião ? Conversa com Marcos Parte 1

Recebo sempre muitos e-mails de gente boa que lê o site, vê os videos e gosta.

Recentemente o Marcos Martinez me escreveu me perguntando a minha religião. A partir desse e-mail outros vieram e senti que poderiamos compartilhar contigo nosso papo.

Com a autorização do meu querido leitor, posto aqui a primeira sequência das nossas conversas.

Abração!

Email: marcosrmartinez@bol.com.br
URL :
Whois : http://ws.arin.net/cgi-bin/whois.pl?queryinput=187.3.70.227
Comentário:
Bom Dia! querido amigo, só por curiosidade você é espírita?

 

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Oi Marcos, tudo bem? Não. Na realidade tenho fé, mas não religião.

Grande abraço pra você!

Flavio Siqueira
http://www.flaviosiqueira.com

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De: Marcos R Martinez <marcosrmartinez@bol.com.br>
Assunto: Res: Re: [Blog do Flavio Siqueira] Moderar: “Videos para reflexão”
Para: “Flavio Siqueira” <blogdoflaviosiqueira@yahoo.com.br>
Data: Sábado, 3 de Abril de 2010, 2:40

Amigo Flavio,

Boa Noite!

Realmente se me permite dizer começo a considerar a sua personalidade como
uma incógnita, pois como poderia fundamentar sua fé sem princípio
doutrinário ou religioso?

Percebe-se pelos seus textos ( que diga-se de passagem são espetaculares)
que você domina muito bem o campo da Filosofia, Sociologia e Psicologia,
mais difere da grande massa acadêmica dessas graduações exatamente o ênfase
que é dado na crença em Deus e o conhecimento das escrituras, base de
diversas religiões e inclusive da codificação Kardequiana. Por exemplo o “Eu
sou” palavras proferidas pelo Cristo e no “De volta para casa” com a
conotação do ideal da vida após morte como sendo o princípio da vida, a
espiritual, para depois da vida passageira na Terra, o retorno para a mesma.

Mais a interrogação fica ainda mais ofusca quando imaginamos que a sua
formação cognitiva não tenha sido apenas empírica e possa ter também passado
pela literatura alternativa, inclusive algumas obras de Allan Kardec em
especial “O Livro dos Espíritos”, e não revolucionado a sua opinião
religiosa”, coloco entre aspas por considerar o espiritismo não como
religião mais sim como doutrina completa formada pela Ciência, Filosofia e Religião.

Um Grande Abraço,

obrigado pelo retorno

Marcos R Martinez

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Marcos, meu amigo, bom dia !

Tenho um filho com seis anos. Hoje ele começa a agir como um menininho que se interessa pelas “gatas” apesar de escrever sua carta para o Papai Noel. Ele usa tatoo (adesiva) no braço, mas ainda gosta do colinho dos pais. Seus “por ques” são inúmeros, mas a simplicidade com que encara a vida me ensina todos os dias.

Lendo o jornal recentemente, fixei na foto de um dos envolvidos em recentes escândalos políticos: homem amargurado, rosto pesado, olhar sem nenhuma doçura. Enquanto lia pensava “em que ponto esse homem deixou de ser o menino dos por ques e se tornou nesse homem amargurado que vejo na página do jornal?”. Aliás, essa sempre foi uma questão: existe uma fronteira? Um tempo onde deixamos de ser essência, intuição, percepção e nos transformamos em….homens “inteligentes” ?

Acho que não. Não vamos dormir puros e acordamos impuros, não é um “start”, mas um caminho. Caminhos são escolhas.

Acontece que, no fluxo, parece que não temos escolhas. Somos fácilmente empurrados pelas demandas – sejam elas em que nível for- que tangenciam nosso caminho, balizando, contendo, formatando, dogmatizando o que antes era só liberdade: para crer, pensar, sentir, acertar, errar, perceber,ser. Isso nos intoxica e nubla a visão.

Para mim religião é um desses tangenciadores, especialmente porque acredito que toda doutrina é fechada em si mesmo. Ainda que em todas haja reflexos de luz, nenhuma é a luz. Ainda que seja sempre possivel crescer e melhorar seguindo-as, chega um ponto em que nos deparamos com o limite que todas tem: são só doutrinas.

Comecei falando sobre meu filho porque acredito que já nascemos cheios de luz. Ela nos habita e não se apaga só porque crescemos, mas nossa escolha pelo fluxo simplesmente nos torna “adultos” demais para acreditarmos que é assim, simples, natural, de modo que não preciso de contingenciamento porque decidi caminhar. Entende ?

Não preciso das respostas das religiões porque tudo o que preciso está dentro de mim, refletido no passáro que canta de manhã na minha janela, no cheiro de grama que sinto nas minhas caminhadas matinais, no amor da minha mulher e meu filho, na harmonia que não se abala nem quando o mundo caotiza, simplesmente porque reflete o que sou. E eu só vejo.

É um caminho, uma escolha onde simplesmente sinto que a vida só se explica como milagre, logo, tudo o que é vida me ensina extrapolando limites do que chamamos de sabedoria humana ou religião.

Fico a vontade de me servir do que me convém, mas sem a necessidade de comprar pacotes e me definir como isso ou aquilo.

Sou só um homem grato por estar aqui que, no caminho da simplicidade, entendeu que luz nem sempre é aquilo que ofusca, mas que ilumina meus passos, minha mente, meu coração e, no fim, me torna alguém melhor.

Para mim isso basta.

Um grande abraço para você!
Flavio Siqueira
http://www.flaviosiqueira.com

E-MAIL: “Você envergonhou o Evangelho”

“…Desculpe-me a franqueza mas voce poderia melhorar o nível de seus argumentos.

No embate com o leitor ateu, pareceu-me complacente a maneira que concordastes com muito o que ele disse.

Perdoe-me amigo, mas o que fizeste foi relativizar ao próprio Senhor dos Senhores quando deste credito a lenga lenga do questionador.

Caso não conheças, informe-se, porque hoje é possivel encontrar no mercado uma vasta literatura que aborda a fé sob o prisma da ciência e nos fornece argumentos consistentes para embates entre crentes e ateus haja vista que existem argumentos suficientes para provar a existencia do Senhor cientificamente.

Se queres fazer defesa do Senhor, estude e reforce seus argumentos para que o evangelho não seja envergonhado…”

 

 

Resposta:

 

 

Sabe, desde criança adoro olhar para o céu a noite.

 

Agora que moro em um lugar onde tem céu ( porque em SP não podemos mais ver estrelas) voltei a essa prática que me remete a outra condição: quando vejo aquela imensidão suspensa, me lembro de como somos pequenos.

 

Você tem alguma noção do infinito ? Sabemos tecnicamente que é algo que nunca acaba, mas consegue imaginar o que é isso de fato ?

 

Tem alguma idéia de onde termina o espaço ou como tudo começou ? Existem teorias cientificas , mas nenhuma consegue explicar de verdade.

 

Sempre que me detenho olhando para o infinito, alimento uma profunda sensação de unidade ao mesmo tempo em que me conscientizo de quão pouco sabemos.

 

Por mais que procuremos respostas na tentativa de vincular ciencia e fé, o que tenho aprendido é que existem outras portas de percepção que ainda desconhecemos por completo, se não fosse assim, como explicar racionalmente sentimentos que temos ao longo da vida ?

 

Se é possivel explicar as reações quimicas ou sujestões psicologicas que fomentam o amor, quem pode dizer de onde ele vem ou porque existe ?

 

Sabemos como a saudade mexe com o corpo, mas o que é de fato ?

 

Neurótico é aquele que deixa de experimentar e se preocupa com as explicações.

 

Não tenho a menor preocupação de “fazer defesa do Senhor” simplesmente porque ele não precisa de advogado.

 

Para mim “embate” em nome de Deus gera “combate” entre homens e mulheres que, no fim, guerreiam para provarem quem tem razão.

 

Será que não aprendemos ? Há séculos fomentamos “embates” e a que conclusão se chega se não a de reforçar entre os dois lados que são donos da verdade ?

 

Triste quando um pequenino homem se acha no dever de formular “defesa” de Deus e, sabe porque ?

 

Se Deus não existisse , seria inútil, e, diante da existência Dele, seria descabido e desnecessário que aquele que É, precise de meus “argumentos”.

 

Evangelho não é o conjunto de livros contidos no novo testamento bíblico, mas um espirito que deve ser internalizado e colocado em prática.

 

Não vive em folhas, mas no coração e, se praticado, nunca será envergonhado.

 

Diante disso prefiro descansar com respeito ao pensamento do próximo, dando a ele o direito de crer (ou não) no que quiser, sem que isso alimente em mim o “guerreiro” que “em nome de Deus” se abastece de “informações cientificas” para “argumentar” em “santos embates”.

 

Não precisamos disso.

 

Para aquele que É, basta que eu seja Nele, e pronto.

 

Argumentos, religiões pit bulzadas, pregadores rosnando, ateus vociferando aparente contradições em textos bíblicos, fiéis da fé e da anti fé na defensiva, uns querendo provar aos outros quem tem razão, se sentindo na condição de advogados de Deus, não me atraem porque, para mim, basta a certeza de que o que É, é de fato, e isso não depende de mim ou de você.

 

Prefiro olhar o céu, viajar pelo espaço e sentir que, acima de nossas produções raivosas, tem paz de espirito e vida de verdade.

 

Deus não precisa de advogado e , apesar de fé e ciência poderem conviver pacificamente, não podemos provar uma com a outra.

 

Cada um acredite no que quiser e que seja capaz de sustentar em seu dia a dia as implicações da sua própria escolha: se isso gerar pacificação, que assim seja, pois uma árvore boa sempre produz bons frutos.

 

Se quer mesmo “advogar” algo, que seja em nome dos necessitados, injustiçados e humilhados que cruzamos todos os dias e deixamos de olhar enquanto formulamos nossos argumentos para “embates” em nome de Deus.

 

Afinal de contas, ao invés de “guerras santas”, saiba  que amar ao próximo e ser luz na vida, produzindo conciliação e paz de espírito é a melhor maneira de viver sua religião.

 

O que passar disso, faz mal, esquizofreniza a alma e adoece o coração.

E-MAIL:”Joguei tudo para o alto e me esvaziei”

Como vai amigo ? Amigo porque entre segunda e hoje (quinta feira) devorei todo o seu blog.

Sou do interior de Minas Gerais e cheguei aqui através de uma indicação em uma comunidade no orkut mostrando o link para o artigo “porque não tenho religião”.

Justo esse tema ! Ele me despertou curiosidade porque vivo em meio a uma grande crise emocional exatamente por esse motivo.

Durante 22 anos participei ativamente das atividades da igreja que eu e meus pais frequentamos a vida toda. Eu era engajada, cantava no louvor, ministrava na escola dominical e era respeitada por todos.

Meus pais também são ativos lá e sempre se orgulharam dos meus trabalhos.

Não sei dizer quando ou porque aconteceu, mas devagarzinho eu fui deixando aquele lugar. Não tive nenhuma decepção, guardo com carinho as lembranças de tudo o que vivi , só que parece que nada que estava lá me fazia bem como antes.

Permanecer naquele lugar, com todas as responsabilidades que eu tinha estava me matando lentamente porque por dentro eu chorava.

Chegou uma hora em que falei para todos que não dava mais e fui embora.

No começo foi dificil para minha familia mas depois entenderam, mas para os amigos da igreja virei maldita.

Ninguem me liga mais, todos se afastaram e falam por tras dizendo coisas horriveis.

Se eu tinha um pouquinho de fé aos poucos ela foi morrendo porque percebi o quanto estava cega achando que aquele povo me amava. Amava nada ! Eles queriam meus trabalhos enquanto eu era conveniente.

Até Deus foi embora porque nunca mais consegui falar com ele ou sentir o que eu sentia.

Desculpe o desabafo sendo que nem nos conhecemos mas espero que me entenda.

Hoje não acredito mais em nada e me sinto vazia.

Responda quando puder.

 

Resposta:

 

A sensação que eu tive enquanto lia seu e-mail, é que você construiu toda sua vida em cima do que seus pais projetaram em você.

 

Pelo que li, eles parecem ser gente boa e estão te apoiando. Mas quando me diz que “Durante 22 anos participei ativamente das atividades da igreja que eu e meus pais frequentamos a vida toda” e“Meus pais também são ativos lá e sempre se orgulharam dos meus trabalhos “ dá a entender que sua identificação com a igreja está muito ligada a identificação que tem com seus pais.

 

Só que chega uma hora – cada um tem seu tempo para ela chegar- que precisamos dessa ruptura em busca da própria identidade e, geralmente, esse caminho passa em algum momento na contra mão do caminho dos pais, principalmente se o caminho deles não tem a ver com você.

 

Sem perceber, pais tendem a projetar nos filhos suas próprias expectativas de vida e isso pode gerar um grande peso.

 

Talvez tenha chegado a hora de buscar seu próprio caminho e isso não deve alimentar culpa. Um dias as pessoas partem.

 

Seu problema é que você calçou suas referências de vida, em cima de algo que não era seu.

 

Não estou dizendo que você não deve frequentar igreja ou ter os amigos que tinhas, mas, se decidir por isso, que seja por vontade própria porque felizmente você chegou em um ponto em que o coração está rejeitando o que não é genuíno.

 

Você ainda cita o peso que se tornou ter tantas responsabilidades e depois fala da sensação de decepção por parte dos que eperavam de você dedicação.

 

Reparou de onde vem o mal ? Expectativas mais expectativas que, somadas, promoviam em você uma cobrança interior que terminou por tirar a alegria das coisas.

 

Construa seu próprio caminho sem culpa, entendendo que felizes aqueles que tem coragem de virar o leme e seguir seu coração. É isso o que você deve fazer.

 

Só cuidado para não misturar fé nessa história.

 

Sim, porque certamente Deus não coloca nenhuma expectativa sobre você e nem fica chateado porque deixou de ir a igreja ou se envolver em trabalhos eclesiasticos. Como disse em outro e-mail postado aqui, igreja não é tijolo, pedra, cimento e predio com registro em cartório, mas está em você.

 

Trabalho eclesiastico, não é necessariamente promover uma instituição, cantar no louvor ou cuidar da escola, mas é viver com integridade, cuidando uns dos outros e dando sabor ao contexto que está, seja ele qual for.

 

É simples.

 

Seja você, ouça seu coração e sobretudo não se culpe.

 

Tem horas que precisamos seguir nossos próprios caminhos e, se no começo parece difícil, com paciência e bom senso perceberemos que as coisas são assim mesmo e que essa só é a primeira vez que você parte.

E-MAIL: “Novo Flavio? Fale sobre você.”

Sempre fui seu ouvinte e agora tenho conhecido um novo Flavio atraves do seu blog…mais espiritualizado, abrangente….é isso mesmo ?

De repente você já era assim e como ouvintes não tinhamos como saber mas tenho gostado desse novo Flavio.

Eu lembro da sua voz em uma rádio evangélica, você é evangélico ?

Essa pergunta é porque gostaria de saber um pouco mais de onde vem suas inspirações porque vejo que você escreve todos os dias aqui.

Conte um pouco da sua história!

Pode me responder pelo blog ?

Muito obrigado e continue nesse caminho que está show !!!

 

 

Resposta:

 

Gostei do seu e-mail, obrigado !

 

Comecei no rádio em 1991 aos dezesseis anos. Naquela época a musica Gospel aparecia como símbolo de rompimento de uma atmosfera religiosa cheia de rituais e preconceitos.

 

Para mim aquilo representava a possibilidade de uma viagem onde, através da música, seria possivel avançar em direção a uma condição de abrandamento religioso em favor da espontaneidade, graça e corações verdadeiros.

 

Eu não queria ser locutor famoso e sequer imaginava o quanto minha carreira decolaria; eu só queria ser útil.

 

Foi assim que comecei na Imprensa Gospel, que naquela época, despertou um gigantesco movimento de abertura principalmente entre as igrejas evangelicas.

 

Só que, ainda naquela fase, percebi sinais de mudança onde liberdade começava a virar “grife” e uns prevaleciam sobre os outros.

 

Foi se cristalizando uma condição de poder, dinheiro, intrigas e situações que não eram parecidas com as que inicialmente me motivaram.

 

Não quero citar nomes ou entrar em detalhes mas vi o suficiente para entender que aquele lugar não era para mim e, se quisesse manter a espontaneidade de alma, tinha que ir embora já que, percebia em muitos, mecanismos de cauterização da consciência onde se justificava o injustificável.

 

Minha ruptura com essa processo não se deu só no ambito profissional e foi muito desgastante.

 

Enquanto meus antigos amigos se afastavam, recebia inumeras cartas de ouvintes dizendo coisas do tipo “ você falava coisas tão bonitas e de repente se “desviou”, “quer dizer que era tudo por dinheiro?” “você só queria um tampolim profissional”.

 

Para quem não está acostumado com o vocabulário religioso, “desviado” é todo aquele que por qualquer motivo deixa o grupo e prefere caminhar com as próprias pernas.

 

Como sempre tinha sido, decidi que minha consciência não estava a venda e, mesmo tendo que pagar um preço alto, mais do que todo o reconhecimento e grana que teria se permanecesse, era preciso seguir adiante e me manter coerente com o que sempre procurei ser: honesto comigo mesmo.

 

O começo foi mais difícil porque para preservar as instituições as pessoas tendem a isolar e ver com maus olhos os que vão embora em nítido movimento de auto defesa. Até entre alguns parentes vivenciei isso.

 

Mas toda essa experiência que aqui está resumidíssima, ajudou a forjar em mim o Flavio que você diz estar gostando de conhecer.

 

Você pergunta se sou evangélico: Não sou.

 

Não me enquadraria de maneira alguma a uma instituição religiosa, seja ela qual for.

 

Acho que o evangelho a gente guarda no coração e isso tem implicações na vida , afinal, somos aquilo que cremos.

 

Não acredito nas religiões como meios de propagação do evangelho ou de qualquer outra mensagem, porque, de fato, isso só acontece entre humanos, no caminho e tendo o dia a dia como pano de fundo, de modo que , de fato, igreja sou eu e você.

 

Para mim o conceito de espiritualidade deve ser algo presente na consciência de cada um, fazendo com que eu nunca consiga desvincular aquilo que sou daquilo que faço.

 

Por isso que o blog tinha que ser assim.

 

Não consigo fazer nada que não seja parecido comigo e, mesmo em todas as rádios em que trabalhei, coloquei muito de mim em tudo.

 

Depois de tanto tempo de experiência , escolhi mudar de ambiente, saindo de São Paulo, vindo para Porto Alegre porque tenho sentido claramente que é tempo de transformação.

 

Sei que a exposição que me permito aqui nem sempre faz bem a “imagem” mas, posso te confessar uma coisa ? Faz tempo que deixei essa preocupação pra lá.

 

Acho que o nascimento do meu filho em 2003 reforçou o sentimento de que, de fato, só vale o que plantamos no coração das pessoas e nada se compara ao que semeia o bem.

 

Foi por isso que comecei no rádio e é isso que me move.

 

Esse blog cresceu muito em quatro meses e dia desses tive a alegria de ler nas estatíticas do wordpress que estamos entre os seis que mais crescem.

 

O que virá depois eu não sei.

 

Mas como nunca me arrependi de colocar o coração em  nada, sei que dessa vez não será diferente.

 

Procuro caminhar olhando para o dia chamado hoje e, o que será amanhã, não cabe  mim.

 

Enquanto isso, é bom saber que encontro você pela jornada.

E-MAIL:” Fale sobre o ateismo”

 

“Flavio, leio muito seu site, gosto do jeito simples que vc escreve coisas complexas e por isso mandei esse e-mail para falar sobre ateismo.

Pelo que você escreve fica fácil sacar que a linha é teísta.

Respeito a crença de todos mas não sei como as pessoas conseguem conciliar a crença em deus com esse mundo fétido, ainda mais as que amam a vida.

Desde que me entendo por gente ouço as estorinhas de ceu e inferno, adao e eva, juizo final enquanto em nome de deus acontecem guerras.

Sempre que tentam me convencer do contrario fazem ameaças veladas como que eu tivesse que fingir ser um cristão para fugir do tal inferno…. E não adianta dizer que não é porque vão dizer o que ? que aquele povo todo que vive falando de deus acredita mesmo em tudo que diz ?

Se todos tem direito de acreditarem no que quiserem tbm outros tem direito de não acreditarem.

Se deus existisse não existiria maldade. Se fosse como dizem, não existiria doenças e guerras. O mundo é esse caos todo e ainda temos que acreditar nele senão ele nos pune ? Ainda que seja assim prefiro minha incredulidade honesta do que esse monte de asneiras com medo da tal “salvação”.

Desculpe o desabafo e continuo lendo seu site.”

 

 

Resposta :

 

Aqui no blog tem um artigo com o título “fé” ( abaixo o link) que fala um pouco mais sobre esse tema.

 

No entanto, queria destacar que concordo quando diz: “prefiro minha incredulidade honesta do que esse monte de asneiras com medo da tal “salvação”.”

 

Até porque qualquer tipo de crença baseada no medo, não é crença, é fuga, seja a crença teista ou ateista.

 

Há muito tempo Deus viou uma marca.

 

Quando Nitschie anunciava a “morte de Deus”, talvez não tivesse percebido que, desde antes, ele já virara um simbolo de poder e dominio.

 

Em nome de Deus travou-se ( e ainda trava-se) guerras sangrentas, criou-se pavores coletivos que começa no medo do inferno e termina na negação da nossa própria essencia e perda da individualidade.

 

Formou-se um estado de inconsciente coletivo onde, em nome de Deus, muitos obedecem a poucos permitindo um ambiente onde roubo em todos os níveis é permitidio.

 

Instituições amontoam bens e mandam e desmandam na consciencia alheia impondo-lhes penitencias, ritos, pagamentos, para que se sintam aliviados do medo que eles proprios lhes incutem.

 

Sim, porque o medo é o combustivel desse ambiente.

 

Quanto mais amedrontados estiverem, mais devotos e mais obedientes.

 

E tudo isso em nome de Deus.

 

Além disso todas as injustiças mundiais, pestes, doenças e a sensação de que o inferno é aqui, diante da velada ameaça : cuidado, se você questionar pode sofrer eternamente.

 

Melhor ser ateu.

 

Mas, agora pense comigo, e se tudo o que a gente fala sobre Deus, na verdade fossem projeções pessoais e coletivas que afunilam em um simbolo que proporciona controle?

 

Digo isso porque acredito que muito do que se fala e faz em “nome de Deus” na verdade é fruto de uma imagem construida e mantida em nome do poder.

 

Apesar disso, não sou ateu. Não sou assim como você não demonstrou ser e, sinceramente, pessoalmente nunca vi ou ouvi um.

 

Você só pensa como pensa, porque ouve uma voz aí dentro, mais conhecida como “consciência”.

 

Quando ela não está adormecida, situações como a que nós dois relatamos incomodam a ponto de não conseguirmos tapa-las com areia.

 

Aí cutucamos, remexemos e, dependendo de que ponto do caminho você estiver, descambará para um dos polos.

 

Em um polo simplesmente melhor dizer : Não compactuo com isso e quero excercer o direito de ficar na minha, não crer em nada e ser ateu.

 

No outro você prefere lidar diretamente com as questões e entende-las melhor.

 

O que eu entendi é :

 

– A nomeclatura “Deus” não quer dizer nada. São só as letras D- E- U– S e só. Portanto, usar essas letras antes ou depois de qualquer frase não quer dizer absolutamente nada. Isso reforça a consciência que, para falar “em nome de Deus”, palavras não tem efeito e sim atitude e isso tem a ver com amor.

 

– Não existe humano que, de um jeito ou de outro, não alimente certa expectativa pelo eterno e o desejo pelo que transcende.

Isso me reforça a sensação de que Deus ( ou como queira chamar) vive em nós e se relaciona individualmente com cada um, desconstruindo o conceito que temos sobre “igreja”. Para mim “igreja” como conhecemos não passa de uma das possibilidades de excercemos vida comunitária e terapeutica, porque, de fato, templo não é tijolo, cimento e registro em cartório mas sou eu e você. Se Ele mora em nós, porque devo chamar um prédio de “casa de Deus” ?

 

– Deus é bom.

Só quando você começa a lidar com essa questão é que percebe o quanto está moldado culturalmente para acreditar o contrário. Desde cedo somos ameaçados que “Deus não gosta disso” de forma que fica quase impossivel crescermos sem a sensação de que Ele é vingativo, vaidoso e mal.

É assim que pensa a sociedade e assim que agem as igrejas a medida em que colocam como condição de relacionamento homemXDeus punições, ritos, sacramentos, dogmas, condições sejam quais forem boas ou  más, quando de fato acredito que nada podemos fazer.

É como digo sempre para o meu filho : Não existe nada que você faça que pode me fazer deixar de amar, assimo como não há nada que me faça te amar mais. O amor é e pronto. E como é difícil acreditar nisso na prática !

 

– Lidamos com nossas próprias escolhas.

Dizer que não acredita em Deus porque o mundo vai mal é o mesmo de dizer que, se tudo der certo a responsabilidade é toda dele.

Vivemos no mundo das possibilidades e , se quisermos, temos vários caminhos a seguir. A escolha de cada um demanda suas próprias consequências, sejam elas boas ou ruins e isso gera efeitos individuais e coletivos. Existem sindromes e doenças atuais que não passam do resultado de escolhas erradas que fizemos ao longo de gerações. Argumentar que “Se Deus fosse bom o mundo seria bom” esconde um pensamento simplista e paternalista onde o homem tenta se eximir de sua própria responsabilidade.

 

– Religioso é aquele que justifica seu ateismo por discordar de dogmas impostos por sacerdotes. É como assumir que acredita tanto no que dizem, que não existe a possibilidade de que Deus não seja nada daquilo. Melhor ser ateu do que tentar desvenda-lo.

 

Quanto mais complicamos as coisas mais distantes ficamos.

 

Até porque, aqui entre nós, não vejo muita diferença em me declarar “ateu” ou “religioso”. Acredito que nos dois casos estaria me encerrando em rótulos e, a partir de então, me fechando para crescer, evoluir e, quem sabe, mudar.

 

Somos seres em movimento assim com a vida não para. Independente de nossas crenças temos dúvidas, anseios e angústias e isso nunca terminará.

 

Pacificar a mente é entendermos que  duvidar não faz mal e que nem sempre precisamos acolher as explicações que nos dão como verdades absolutas.

 

Deixa que o tempo fale e não tenha medo de pensar.

 

A capacidade de reavaliar nossos conceitos e submete-los a consciência é que nos torna melhores e fazem com que grandes questões existenciais se transformem em pequenas dúvidas sem muita importância.

 

Diante dos dilemas da vida, o mais importante é saber que, no fim das contas, tudo converge para o bem, desde que seja essa nossa vontade.

 

Se entendermos que muitas vezes o mal tem cara de bem e o bem pode trazer mal, desconstruimos um mundo inteiro de medos e fantasmas.

 

Deus é bom. E, pessoalmente, tudo o que me faça pensar ao contrário não passa de nomeclatura de um símbolo criado pelo homem e usado para gerar angustia e medo.

 

Para mim, basta saber que Ele é bom e o resto se explica com naturalidade, paciência e sabedoria.

 

Obrigado pelo e-mail e, se der, veja o video abaixo:

 

 

Link artigo fé : https://flaviosiqueira.wordpress.com/2008/08/22/fe/

Mande seu e-mail : flaviosiqueira@rocketmail.com

E-MAIL de leitora e resposta: nova opção do blog.

Tenho recebido muitos e-mails e opiniões no fórum aqui do blog sobre diversos textos mas, no artigo ” ciência e fé- a partir de uma visão reencarnacionista”, as mensagens foram recorde.

Diante disso, resolvi abrir espaço para que você escreva, não só no fórum, mas diretamente a mim através do flaviosiqueira@rocketmail.com colocando suas questões a serem respondidas e/ou debatidas aqui no blog.

Para começar essa nova categoria que se chamará “e-mails” inicio com uma mensagem que foi deixada no fórum do artigo em que trato de ciência, fé e reencarnação.

Na sequência a reprodução da mensagem e em seguida minha resposta:

“Fé: tudo aquilo em que se quer acreditar por não se ter certeza.

Dogma: aquilo que não se pode questionar e que, justamente por isso, repele qualquer inteligência.

Ambos não tem nada a ver com Deus, que antes de ser Amor, é Inteligência e Justiça totais.

Seu registro desconsidera Deus enquanto Dons do Espírito Santo e enquanto Inteligência e Justiça Totais.

Quanto aos Dons: a Bíblia Judaico-Cristá é um verdadeiro tratado mediúnico e todos nós, sem exceção, somos portadores por sermos Centelhas Divinas. Os que já os têm desabrochado sabem da imortalidade do espírito porque vêem além dos olhos, ouvidos e sentidos da matéria. É uma questão de certeza, não de fé.

Quanto à Inteligência e Justiça Totais: onde estaria a Inteligência e Justiça Divina se fosse o acaso que determinasse um espírito encarnar com todas as condições favoráveis para o seu desenvolvimento (amor, família, conforto, segurança), enquanto outro tivesse que enfrentar todas as adversidades (doenças, fome, desamparo)?

O espírito, que é imortal, carrega em si todas as marcas do que já foi, ainda que a cada centelha divina sejam dadas infinitas oportunidades de desabrochamento do seu Deus interno.

Obviamente, essas condições jamais se restringiriam a uma encarnação.

Nada do que foi tratado aqui se relaciona a religião, não no sentido profissional com que seres humanos, que pretendem ensinar a Deus, atendem, na verdade, os seus interesses de bolso, pança, sexo, orgulhos e vaidades.

Leiamos sobre Hermes, Crisna, Pitágoras, Orfeu, Platão, Moisés, João Batista, Voltaire, João Huss, Anchieta, Kardec, Osvaldo Polidoro e tantas outras dentre as 37 Encarnações que o Próprio Princípio Sagrado teve neste planeta, e saberemos que A Doutrina de Deus, que é única, sempre foi entregue a essa humanidade na medida da nossa compreensão.

Mas, muito infelizmente, os religiosismos profissionais, o que fizeram, foi adulterar tudo em prol dos seus interesses.

E em nome da atitude criminosa dos ditos “homens de deus”, os ditos cientistas tudo fazem para negar a existência do Princípio.

Mas, um dia saberão que, sem Deus, não há Ciência Integral.”

Resposta:

 

 

 

Minha amiga, fiquei feliz que colocou seu ponto de vista aqui.

 

Quando você define por fé “ tudo aquilo em que se quer acreditar por não se ter certeza”, saiba que está criando um novo conceito para o que sabidamente é a “crença naquilo que não vejo”.

 

Tanto é que, mais adiante, você faz uma série de afirmações puramente baseadas em fé : “ as 37 encarnações do “principe sagrado”, a bíblia é um verdadeiro “tratado mediunico”,  somos “centelhas divinas””e assim por diante.

 

O fato de mudar a nomeclatura, não altera o principio que, para crer no que não vê, é preciso fé.

 

Justificar a existência da reencarnação ( nesse caso fica mais para o Karma) ao questionar “onde estaria a Inteligência e justiça divina” , enquanto uns nascem na prosperidade e saúde e outros na doença e pobreza, é encerrar a própria “inteligência e justiça divina” a nossos próprios conceitos limitados ao tempo ,espaço e cultura sobre “justiça” e “inteligência”.

 

Se defendemos determinados conceitos, simplesmente por não encontrarmos outra explicação, encerramos a questão no que julgamos ser razoável, acreditando que, se eu não encontro respostas mais adequadas, a “inteligencia e justiça divina” também não, logo, está provado. É porque é.

 

Será?

 

Hoje o estudo da física quântica tem dado outras respostas a antigas questões e até certezas da própria física. Isso tem relativizado conceitos fixos em todas as areas, o que nos dá indicios de que, mesmo entre o que achamos cheio de lógica, nem sempre o é.

 

Quando me refiro a “religião”, não me limito a alguma específica mas, para mim, toda a instituição que se vê como portadora de mensagem especial onde ritos e práticas estão condicionados a vinculos com o divino, quando líderes se colocam como “ponte” para o eterno e seus seguidores, na sensação de que são portadores da verdade, procuram “converter” aos outros, aí está uma religião. (Já escrevi mais detalhadamente sobre religião aqui no blog).

 

No mais, acredito que, no fim das contas,  existe em nós portas de percepção para o que é bom e faz bem e isso se manifesta em amor.

 

Se o cheiro não for de amor e misericórdia, fico longe.

 

Sinceramente não creio em teses raivosas, defesas apaixonadas e cheias de “verdade” e auto jusificação, pelo simples fato de que, sem simplicidade ficamos cegos.

 

Vivemos no mundo das possibilidades onde não se forja homens e mulheres melhores em tubos de ensaio, estudos enfadonhos ou doutrinas dogmáticas.

 

A busca pelo conhecimento, o acesso a leitura, estudo da filosofia, fazem bem a alma, arejam a mente mas, no fim das contas, é só questão de opção intelectual já que as pessoas mais felizes que conheço, são as mais simples de coração e , simplicidade de coração, se constói com bondade nos olhos, grandeza de espírito e pacificação na mente.

 

Se a sede por conhecimento não mascarar angústias advindas de auto percepção, certamente fará bem.

 

Mas se ela é fruto de meus medos, se é usada como “bóia” existencial para poder me agarrar diante do mar de inseguranças, se preciso do conhecimento para me auto afirmar, o resultado será um coração empedrado e uma mente restrita a seus próprios limites e conceitos geralmente baseados em moralismo.

 

Quanto mais simples, mais verdadeiro.

 

Afinal de contas, creio que as maiores verdades da vida, são as mais despretensiosas e essas estão acessíveis aos mais simples de coração.

 

Essa é minha fé.

 

Obrigado por escrever !

 

 

 

 

Se você quiser perguntar ou debater sobre alguma questão escreva para : flaviosiqueira@rocketmail.com