A felicidade é egoísta

Agora há pouco, lendo Saramago, esse texto me tocou: “Não gosto de falar de felicidade, mas de harmonia: Viver em harmonia com nossa consciência, com nosso entorno, com a pessoa que queremos bem, com os amigos. A harmonia é compatível com a indignação e a luta; a felicidade não, a felicidade é egoísta.” Eu acrescentaria que a busca pela felicidade tende a nos isolar porque a felicidade não pode ser um fim, mas um caminho. Enquanto caminho passo por ela e nem percebo. Se a persigo, ela é mais rápida do que eu e foge. Eu só caminho e tento não andar tão distraído.

Eu não resistiria a “verdade”

Eu não resistiria a “verdade”. Seja lá qual for. Seria como chegar perto do sol, não dá, o distanciamento é necessário. Um ser que tivesse acesso a “verdade” não poderia existir entre nossas regrinhas, não seguiria nenhuma ética, nem levaria a sério lógica alguma. Seria autônomo, independente, absolutamente livre. E alguém pode viver em sociedade sem negociar sua liberdade? A “verdade” nos esmagaria porque não somos capazes de suportá-la, aliás, não podemos suportar nem  mesmo a verdade do outro. Como seria a vida se conhecêssemos todas as verdades de todos? Insuportável! O que nos cabe são porções da verdade, em movimento, parciais, como nós. Reconhecer que é assim gera descanso e a consciência que tudo o que nos cabe é a verdade do instante que se conecta a todas as outras verdades de todos os outros instantes. Talvez seja desconfortável para você, mas, pra mim, parece suficiente.