Eus, movimento.

Se em mim houvesse perfeição, não haveria sombras, nem variação, nem espaços. Sem espaços não haveria movimento e, sem movimento, eu não seria. Sou os todos que fui, os que sou, os que ainda serei. Sou movimento. Fragmento. Não sei o que é perfeição e tudo o que faço projeta minha própria ambivalência. Meu amor, inclusive, meu amor condicional. Minhas crenças, minhas descrenças, meus sonhos, tudo o que penso absoluto é apenas um fragmento que aponta para o horizonte. São confissões que não dizem nada sobre o mundo, nem a vida, nem a morte, nem nada que seja além de mim. Eus, movimento.

Em uma esfera mais alta e não percebida (do novo livro)

…há uma esfera mais alta, interesses impublicáveis e desconhecidos, convergências de acontecimentos aparentemente sem nenhuma conexão entre si, mas que trabalham em nome de uma única causa, a mesma que manterá as coisas como sempre foram. Esses controlam as mentes, determinam o estilo de vida, dominam a cultura, administram a economia, o dinheiro, a saúde, a educação e até a fé de bilhões de pessoas que só enxergam a camada logo acima, que não percebem que há outras. Seus sistemas de crenças, seus valores, suas auto-regulamentações morais, suas leis, interesses, objetivos, o que lhes deixa entretidos, o que valorizam, o que sonham para si e seu filhos.
Tudo é mantido pelo topo da pirâmide como quem administra miragens, sombras projetadas na parede da caverna onde a maioria insiste em continuar, felizes, acomodados, sem nenhuma espécie de questionamento simplesmente porque ali se sentem seguros. (trecho do meu próximo livro- em breve…)